terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O Natal e o Menino...*


No meio da noite tão triste
há um menino...
Sozinho na maior solidão que existe.
Um ser pequenino.
Relegado ao  mais completo  abandono.
Há muito não dorme, o tal menino.
Mesmo sofrendo ao relento de frio e de fome
Ele faz prece aos santos. 
E a humana gente, indiferente,
finge não saber sequer seu nome.
É Natal.   
Tudo está escuro.
Há sons de sinos por todo canto.
Luzes coloridas, presentes 
e cheiro de comida quente.
Todos cantam: “noite feliz, noite feliz...”
 ceia farta  
e festa vasta entre os homens.
Enquanto isso,  o pobre menino
chora baixinho de frio e fome.
Mas não reclama.
Está sem sono, o pequenino...
Não sabem os indiferentes que se fartam
que o tal menino  triste
entregue ao abandono da vida
não é, senão, o próprio Cristo
que na noite de Natal insone,
disfarçado de criança,
veio ao mundo como uma chama.
Para testar de novo 
o solidarismo,  a tolerância
e a caridade dos homens.
Como igualmente,
a fé, o otimismo e a esperança humana.
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José Cícero
Aurora - CE. 
Fotos ilustrativa da Internet

sábado, 7 de dezembro de 2013

Meu mundo, minha vida. Meu não-lugar*

Cada lugar que eu passo e vejo pela primeira vez na vida é um universo estranho e maravilhoso, além de carregado de múltiplos significados e de outros sentimentos inexplicáveis. Coisas que só posso dividir comigo  na mais pura solidão do meu Eu profundo.


Algo que, ao tempo em que me enche de curiosidades e de estranhamento, também me faz sentir saudades das coisas que sequer presenciei, mas as imagino intimamente no meu âmago como quem as tivessem vivenciados noutros tempos, no calor da idade, muito mais que os  que por ali nasceram.
Oh! Como é cruel sentir-se como quem tivesse  todas as idades, as dores, as saudades e os sentimentos do mundo. Mas esta é a vida que levo e que tenho  sobre meus ombros cansados de tantos sonhos, cujos vazios tento à pulso, preenchê-los com estas lembranças que eu não entendo porque as sinto assim, demasiadamente.
Românticas saudades a escorrer entre os meus dedos.  Vontades de tê-las vivido em seus momentos. Em todos os passados possíveis em meio as tragédias, as vitórias, as alegrias e as aventuras humanas nos seus maiores instantes de felicidades. Reminiscências e desejos que me atormentam a onde quer que eu vá. Utopias dos poetas insensatos como igualmente de todos os que não têm motivos algum para acreditar em nada disso. Ânsia de conhecimento e de vivências imortais. Medo e mistério do desconhecido.
Mas eis que tudo o que é desconhecido me provoca e me comove ao ponto de eu às vezes nem saber  de que lugar eu possa ter vindo. O mundo é o meu não-lugar. Sou de outras vidas. De múltiplas moradas... Acho que morri tantas vezes que foram preciso. Renasci quando foi possível e necessário. Sou filho do tempo. Razão porque tenho em mim todas as idades do mundo.
Tudo me comove e mexe com meus sentimentos sempre quando me deparo como os espaços desconhecidos. Paisagens, histórias e figuras que povoam de algum modo a memória do meu esquecimento. Assim como tudo me enche de vontades de viajar no túnel do tempo. De retroceder apenas para puder testemunhar como tudo aquilo aconteceu no seu pretérito.  
Incrível sensação pela qual sofro calado. Visto que não é tão fácil ser um sujeito diferente  movido pela sensibilidade,assim como  pela necessidade de ser atemporal. De não aceitar e, tampouco compreender com a infinda naturalidade dos mortais a superficialidade fria e morta das coisas em sua aparente normalidade.
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(*) José Cícero
Aurora - CE.

sábado, 23 de novembro de 2013

VIDA: Dois Pesos e Duas Medidas*

Dois pesos e duas medidas.
Eis a dinâmica louca.
Regra, sistemática e etiqueta
da nossa própria vida,
na sua norma precisa e fria,
medíocre e vez por outra,
um tanto quanto  escrota.

De pesos e medidas
são também as pessoas.
Assim como a vida.
Às vezes à toa,
e  um tanto desmedida.
- Dores vividas.
Vida construída
pouco a pouco
todos os dias
à sangue e fogo.
Nada mais que o valha
nem ninguém que o diga.
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(*) José Cícero
Aurora - CE.
Foto> http://2.bp.blogspot.com

domingo, 17 de novembro de 2013

Um Canto para Dil André*


Dizem  que Ele morreu no dia da proclamação*
Mas ele é irmão e é espírita...
E na vida eterna acredita.
Ele apenas partira
sabendo que a vida
é puro estágio de continuação.

Ele partira...
continuou sua estrada
cumprindo sua missão.
Ele não morreu
como alguns ainda pensam.
Despertou do sono da vida.
Ele é irmão e é espírita.
Por isso acredita.
Ele é artista
no mais puro estado de depuração.

Agora ele está em paz.
Prosseguiu sua viagem.
E diante de Deus se encontra.
Artesão da boa-nova,
sua arte nos conforta...
Dil André está com o Pai.
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(*) José Cícero
Aurora - CE.
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Homenagem ao artesão/artista Dil André
desencarnado em Aurora no último dia 15 de nov. de 2013
Foto: Dil André (arquivo Secult-2010)

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Timbaúba*



Sê simples e modesta
como esta  árvore bela.
Figura altiva e  centenária.
Símbolo da vida em que se encerra.
Espécime holística da matéria.
Estética para nossas palmas.
Árvore no chão  fincada.
Deusa da vida
que no esplendor se expressa.
Sinônimo de toda beleza
como a nos mostrar
que a calma
é  janela  iluminada da natureza.
Além de refrigério e lenitivo
para a paz e a felicidade
- como riquezas
da nossa  própria alma.
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JC - Aurora-CE/2013
Foto: Jorge Remígio

terça-feira, 15 de outubro de 2013

100 Anos de Vinícius...*

 Por José Cícero*

Um Poeminha ao poetinha Vinícius de Moraes

Cem anos de nascimento
do poeta imortal:

Vinícius...
Uma dança.
Uma piada picante.
Um riso indecente.
Um whisky
em meio a outros drinks.
Graças sublimes 

de uma literatura elegante.
Um porre de poesia apenas
como louvação a este dia suave.
plena boemia.
Música e poesia.

Um gemido.
Um beijo instigante.
Gelo e bebidas inebriantes

como copos de cervejas espumantes
a embriagar a vida de todos os amantes.
Leitura poética  

adocicando o sal da terra
ante o feminismo das praias do Rio.
Belos poemas para todo o sempre.
Canções imortais de Vinícius!
Poemas e poemas...
e a vida valendo a pena.
Poética altiva e amena.
Mulheres bonitas, álcool e boemia
- eternas garotas sexy de Ipanema
a desfilarem como as ondas
no verbo que se afirma
sob o desejo praiano de gente grande
e adolescentes.
Assim como na elegância imorredoura
que se eleva e encanta na paz.
Como igualmente

na pena estética e no poema gratificante
do poetinha eterno:
- Vinícius de Moraes.


Oh poesia! 
Linda, sutil e insana.
Mesmo sendo chama 
nunca te apague.
Porque sempre é eterno 
tudo o que dura,
além de infinito tudo o mais
quando se ama.
..................
José Cícero -
Secretário de Cultura e Turismo
Aurora - CE - 2013
...................

Foto ilustrativa: http://eventosemserie.com.br
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