| JC sob a mangueira na sede da Seculte-Aurora |
José Cícero
In "Minhas Metáforas Prediletas". Inédito/12
| JC sob a mangueira na sede da Seculte-Aurora |

O sertão que tenho em mim*
Tenho desde muito o sertão em carne viva
como um coração valente pulsando em minhas mãos.
Fera arisca adormecida
que não se acalma e não me dá trégua.
Tenho desde muito em mim o sertão.
Esta vontade incontrolável de carregar comigo
onde quer que eu ande.
Bichos, matos e riachos.
Estórias de trancoso, causos e assombração.
Gente valente que não tem medo.
Fartura das invernadas daquela região.
Rara beleza que me encanta.
Poesia matuta de Bandeira, Serra Azul,
Bil Pereira, Zé Limeira e Patativa.
Canções de Gonzaga.
Cheiro de flores brejeiras.
Comidas tipicamente sertanejas,
arte e festa,
cultura nativa...
Donzelas bonitas
Repente dos violeiros poetas
do meio das feiras.
Relembranças de um sertão
que sempre carrego
em minhas mãos.
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José Cícero -
in Minhas Metáforas Prediletas(Inédito)
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Um brinde ao dia do escritor
Foi tão magnífica a apresentação dos Trepidant’s durante o 3º Baile da Saudade na noite do último sábado(21) em Aurora que, a bem da verdade e, notadamente por um dever de justiça, diria que apenas uma referência noticiosa não seria o bastante para dizer de toda a emoção e do contentamento provocado em todos os que tiveram o prazer de participar do evento organizado pela AFA.
Os irmãos pernambucanos do Recife estavam por assim dizer, numa noite das mais inspiradas e mesmo sem seu líder maior, Vicente Jr - agora em carreira solo, o grupo recifense realizou uma performance deveras impecável. Antecedido que foi pelo bom forrozeiro Diassis Martins que igualmente fez ótima apresentação.
É certo dizer, no entanto, que Os Trepidant’s pelos estrondosos sucessos que emplacou no passado de gerações inteiras, dispensaria qualquer comentário a mais, sobretudo de feitio saudosista ou algo mais que o valha. Porque são poucos os que não recordam das suas músicas, tanto em inglês quando no idioma pátrio. O que nos levaria inapelavelmente também aos Pholhas, Carbonos entre outros que investiram como êxito no mesmo gênero musical. Hits inesquecíveis do naipe de 'Remember me', San Francisco River, My flaming Love, Everytime, dentre outros. E apenas para não ser injusto, as mais recentes dos anos 80 como Vadiar, Lua dos namorados, Foi demais etc.
Contudo, por oportuno, refiro-me exclusivamente a forma pela qual a banda(noutros tempos chamaríamos de conjunto) se apresentou em Aurora. O que decerto, não precisaria de mais nada de acréscimo. Porém, quem esteve lá teve o raro prazer de conferir um show dos mais primorosos com direito a ouvir e dançar outras canções de grupos internacionais e brasileiros que marcaram época, além de Pholhas, Renata, The Fevers apenas para citarmos alguns dos anos 60, 70 e 80.
A apresentação dos Trepidant’s não nos alegrou apenas pela performance da noite, que diga-se de passagem – foi algo impecável e irretorquível. Mas, sobretudo e principalmente pela constatação inequívoca de que o bom-gosto musical ainda sobrevive, mesmo a duras penas, não somente nos que tiveram a felicidade de curtir a banda nos anos áureos da sua carreira, mas inclusive junto aos neófitos da atualidade(leia-se os jovens). Na festa de sábado, foi possível percebermos isso diante da emoção e do contentamento de todos os que estiveram no clube das samaritanas. Algo que nos anima a acreditar que a música boa do Brasil não haverá de morrer tão fácil diante da avalanche atual do forró descartável, pobre, antipoético, criminoso e imoral. Assim como de um outro pseudogênero, que talvez por absoluta falta de um nome – o chama de sertanejo universitário e por aí vai. Modismo que como tantos outros que já surgiram haverá de passar igualmente sem deixar nenhuma saudade.
A emoção contagiou a todos diante do repertório apresentado naquela verdadeira noite de gala. A boa aceitação verificada também junto a juventude presente, representa um bom sinal, além de uma prova de que não se pode gostar daquilo que não se conhece...
Como nos velhos tempos, como a partir de agora e daqui para frente, afinal de contas como é comum também na música – Nunca é demais sonhar. Manter acesas as chamas das esperanças, relembrar os momentos idos, matar saudade e acreditar na utopia de dias melhores, dado que a poética musicada também nos serve para isso. Por fim, diria que após termos ouvido, cantado e dançado pra valer com as músicas dos Trepidant’s, também saímos do Baile da Saudade um pouco mais felizes, contentes, animados e rejuvenescidos, inclusive espiritualmente...
Parabéns a todos da AFA pelos dois dias de maravilhosas comemorações festivas. Algo que muito valoriza ao passo que engrandece toda a sociedade aurorense. Pena que a vida passa célere como ventos a carregar nossos momentos para a eternidade. De modo que agora, tudo já passou a ser saudade...
Parafraseando a inesquecível canção dos Trepidant’s, direi apenas - Remember me! E que nos venha o quarto encontro dos filhos e amigos de Aurora em sua versão 2013.
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José Cícero
Secretário de Cultura
Aurora-CE.
Da Redação do Blog de Aurora e do site Cariri de Fato
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COMENTÁRIOS DO PROF. LUIZ DOMIMGOS DE LUNA -
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Do ponto de vista econômico, este tipo de intervenção tendo sido considerada algo positivo pelos arautos do grande capital. Uma medida das mais ortodoxas, contudo sob o prisma ambiental seus efeitos a longo prazo serão simplesmente desastrosos, para não dizer, devastadores no tocante aos recursos naturais do planeta. Basta ver os incentivos feitos no Brasil para a aquisição de automóveis e o grande show midiático e político-governamental acerca do pré-sal. Ora, se os combustíveis fósseis e os hidrocarbobetos são uns dos principais respnsáveis pela poluição ambienteal em todo o mundo, então é no mínimo um contra senso o oba-obra que se faz a tudo isso. E agora, após a realização da tão decantada Rio+20 é algo que não faz a não mais creditar na boa-vontade destes governantes em solucionar os graves problemas por que passa o planeta no que tange ao desequilíbrio climático, recursos naturais e a biodiversidade.
Os grandes investimentos na estrutura produtiva de qualquer país tem significado um aumento na utilização dos recursos naturais, além de um fator gerador de resíduos – o lixo industrial e doméstico que também vem se configurando como um problema dos mais complicados em todo o mundo.
Todavia, este tem sido, via de regra, um mecanismo econômico que por seus resultados aparentemente animadores postos em prática por quase todas as nações industrializadas, especialmente quando se avizinha um momento de crise e recessão. Um expediente em voga nos países que adotaram a chamada economia de mercado. Os que abraçaram o sistema capitalista globalizante que, aliás, compõem a maioria das nações do planeta.
E, diga-se de passagem, este modelo vem fazendo dos seres humanos verdadeiros cupins dos recursos naturais da biosfera, tanto os renováveis quanto o não-renováveis. A febre do consumo é por assim dizer, uma bola de neve. Uma bomba relógio prestes a explodir a qualquer momento. Para o qual a globalização tem contribuído e muito para um possível acirramento dos seus efeitos, daqui para frente num tempo recorde
O chamado sonho de consumo passou a ser quase uma regra de etiqueta, de vez que cada indivíduo (independente de classe social) terá que ter não apenas um, mas vários. Movidos que são cada vez mais pelas campanhas publicitárias, tanto quanto pelos incentivos governamentais e as facilidades oferecidas pelo mercado no quesito compras a prazo. Para piorar, tais consumidores estão sendo cada vez mais ousados e exigentes em suas preferências. Quem antes queria uma casa simples agora quer, se possível uma mansão. Quem pensava na adolescência numa bicicleta, agora deseja uma moto e, logo em seguida um carrão. E, mais recentemente tudo em duplicata. Hoje quando se planeja comprar ou mesmo construir uma casa, não se pensa primeiro na sala de visitar, mas na garagem do automóvel. O veículo automotor passou de vez a fazer parte da família como um ente dos mais queridos e desejados.
Há quem sinta, inclusive amor e ciúme do seu carro. Pessoas que se apegaram tanto a este monte de metal que não conseguem fazer mais nada longe do mesmo. A ponto do carro ou a moto terem literalmente se transformado num verdadeiro membro do seu próprio corpo físico. Conheço quem não consiga ir a padaria ao lado que não seja montado em sua motocicleta. Alguém que há anos não anda com seus próprios pés pelas ruas e calçadas da sua cidade. Aliás, não existe cena mais triste(sobretudo para os sertanejos) do que agora enxergar pseudovaqueiros a tanger seu gado sobre uma moto e por aí vão as aberrações...
No entanto, ninguém ao que parece não está muito lá preocupado com o debate acerca destas questões. Ou seja, das suas possíveis implicações sobre a natureza e a vida do planeta daqui para frente.
Ninguém parece querer saber sequer de onde é que vem toda esta parafernália de insumos a confecção dos produtos destinados à formatação de todos os bens que ora são colocados a noss disposição. Nem tampouco, para onde retornarão todo o lixo resultante da fabricação e depois, do próprio consumismo exacerbado e incontrolável a que todos estamos de algum modo protagonizando.
Mas, nenhum produto de consumo surge do nada como num passe de mágica. Tudo é retirado do meio ambiente, dos ecossistemas, portanto são recursos naturais na sua grande maioria esgotáveis, a exemplo da nossa principal base energética – o petróleo, de quebra, o grande vilão das emissões gás carbônico para o aquecimento global.
Porém, como a retirada e o descarte estão sendo, cada dia mais acelerados, a natureza já começa a dá os primeiros sinais do seu esgotamento total. A mãe Terra não está conseguindo fazer a reposição de tudo aquilo que vem sendo extraído numa rapidez absurda. O que deve ser igualmente acrescido a esta conta, o incontrolável crescimento do número de habitantes da Terra, que agora já extrapola a casa dos 7 bilhões de pessoas. E estas, todos os dias terão que suprir suas necessidades básicas.
Por isso é urgente que a sociedade planetária, sobretudo os grandes líderes mundiais, os cientistas, a mídia, os formadores de opinião comecem sem mais delongas, a instigar suas populações a consumir menos e de forma racional, como também a repensar seus antigos e atuais modos de atuação, suas atividades diárias, melhorando assim sua convivência em relação ao meio ambiente. Do contrário, em pouquíssimos anos o mundo entrará num caminho sem volta - o colapso total dos seus recursos naturais. Algo sem nenhum paralelo na história humana e das espécies de um modo geral.
Não há meio-termo. Teremos que parar agora. Visto que já estamos nos aproximando do ponto crítico como bem alertara o cientista James Lovelock. Estamos no ponto limite e daqui a pouco, tudo o mais será um caminho sem nenhuma possibilidade de retorno. Será o fim de uma era que culminará fatalmente com a catástrofe – a destruição em massa de todas as espécies biológicas da terra. E nós estamos fatalmente no centro desta extinção. Haveremos de conhecer o mesmo fim que tiveram os dinossauros há 65 milhões de anos.
Portanto, você, por exemplo, que nunca está satisfeito com o que possui agora. Que sonhou a vida inteira com a compra de um carro zero; que deseja uma casa nova e espaçosa toda na cerâmica, que aspira só vestir roupas de marca, juntar dinheiro na conta bancária, beber água mineral, lavar sempre o rosto com águia de coco, colocar uma TV em cada quarto e encher sua casa de eletrodomésticos de última geração. Você que só tem sonho de grandeza...
Já se perguntou por acaso, de onde é que vem tudo isso? Já pensou um pouco sobre a queima dos combustíveis fósseis? Sobre a sua parcela de contribuição para o aquecimento global, a poluição e a destruição dos ecossistemas terrestres? Já tentou se imaginar sem o seu bioma, na fome da África e nos primeiros refugiados ecológicos da história? Já tentou pelo menos refletir acerca das suas ações diante da perspectiva ambiental? Da necessidade de uma convivência responsável e harmoniosa com a natureza, assim como da importância da chamada sustentabilidade ambiental? Não custará nada ao seu bolso pensar um pouco sobre tudo isso.
Pois saiba que o pouco que se alerta hoje acerca da problemática ambiental, ainda não é nem um quarto do que realmente está por acontecer. A situação é muito mais dramática do que você possa imaginar. Estamos falando do fim do planeta Terra - nossa única morada disponível no universo. Portanto, da extinção das nossas vidas. E você acaso ainda acha pouco?
Contudo, se ainda acha que haverá tempo, eu pergunto: afinal de contas, que tipo de planeta você pensa em deixar para os seus filhos e netos? Pelo mínimo de coerência moral, teríamos que deixá-lo pelos menos como o recebemos um dia dos nossos ancestrais...
Sei bem que a falta de conhecimento, como a mãe de toda ignorância, tem provocado uma grande cegueira na maioria dos seres humanos. Tanto os ricos, quantos os pobres. No entanto, já estamos começando a sentir na própria pele os efeitos práticos do desequilíbrio climático, resultantes das nossas próprias atividades antrópicas.
Então, por que será que mesmo assim, você e a maioria dos seres humanos ainda permanecem indiferentes e anestesiados diante da iminência de todo este caos?
Por favor, pense nisso antes de terminar seu dia...
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José Cícero
Secretário de Cultura
Professor e pesquisador
Aurora – CE.
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Hoje pela mais pura curiosidade que vez por outra me atormenta a alma e o espírito, resolvi beber um pouco mais do transbordante cálice literário de Clarice Lispector. Vez que há algum tempo estava por assim dizer, abstêmio do seu inebriante absinto poemático. Razão pela qual acredito que psicologicamente o meu íntimo encontra-se famélico e sedento da suculenta escrita claricense.
Justamente agora no aniversário dos 35 anos do seu desencarne. Quisera eu saber da escritora que há muito impregna a minha alma, desde os meus idos estudantis, quando pela primeira vez na vida, tive a chance e a oportunidade de entrar numa biblioteca farta, algo a que não estava habituado – A coleção completa das obras da escritora.
Quando um mundo novo, surreal e fantasioso se abriu diante de mim em toda a sua infinitude astronômica. E lá estava ela, Clarice Lispector(quase que de carne e osso) com o seu inigualável sorriso um tanto quanto subliminar. Olhos de segredos e de mistérios. Um olhar de vidro como diria Carlos Drummond de Andrade. Quase uma esfinge a nos escavacar por dentro, gritando alto em seu silêncio em milhões e milhões de metáforas. E assim, ela rompia a minha timidez com sua lavra grandiloqüente num oceano incrível de palavras. Eu apenas não compreendia porque quase ninguém, além de mim naquele ambiente escolar queria saber da poesia de Clarice. De modo que era uma estranha, quase uma ilustre desconhecida até mesmo para os mestres...
Olhava seu retrato sob a capa daqueles livros amarelados de tanta espera. Seus olhos eram mais significativos do que seu próprio nome. Adornados ligeiramente por um belo olhar oblíquo caucáciano, mas que me metia um certo medo ao passo que me enchia de curiosidade e estranhamento. Desde então, tomei conhecimento que uma tal de Ucrânia existia em algum lugar do mundo, assim como a própria poetisa Lispector a crescer viçosamente no solo capibaribano do Recife nordestino. E que só depois de algum tempo se instalaria no chão fluminense.
Esquadrinhei seu rosto sisudo e quase marmóreo. Riso torto escondido, talvez pela sua maneira diferente de ser verdadeira e intimista além da conta. Olhos inchados, quem sabe pelas noites em claro gastas na tessitura dos seus versos. Ou ainda até mesmo, encharcados de fumaça dos seus intermináveis cigarros a se esvair por entre seus dedos. E eu olhava seu semblante diametralmente oposto a todos os olhares nordestinos. Russa feição de mulher que escreve e pensa a vida. Suave e pesada face do mistério literário e, através da qual não mais enxergava o nosso Patativa, nem Rogaciano, nem Juvenal, Cego Aderaldo, nem Bil Pereira e, tampouco aquele ceguinho Oliveira com sua Rabeca roncosa da feira das ruas do Juazeiro ainda a encher minha cabeça de lembranças, sempre quando alguém falava de verso, cordel e poesia.
Acho que Clarice foi a minha primeira paixão adolescente. Quem sabe um lenitivo psicológico na ânsia de puder amenizar a minha solidão de estudante quase abandonado no internato, sobre a serra do colégio agrícola do Crato. Minha admiração pela poetisa ia muito além da sua produção literária. Penso hoje que a minha imaginação não tinha fim. Ficava a ponderar como seria os beijos daqueles lábios. O afago das suas mãos. Sua voz, assim como o meneio dos seus canelos soltos ao vento das praias do Leblon... Clarice era de fato, uma paixão de menino a que a poesia me dera de presente.
De forma que, a partir daquele instante inusitado, era a mulher Lispector que tomava de conta do meu senso adolescente de leitor neófito e estudante. Um sonhador em seus devaneios sem tamanho que também se imaginava um dia fazer seus próprios versos e dedicá-los todos à Lispector.
Tentei naquele primeiro momento conhecê-la com a natural sofreguidão dos pequenos, mergulhar dentro dos seus olhos carregados de silêncio. Mas os olhos de Lispector eram profundos demais para o meu Eu menino diante das coisas do mundo. Um oceano imenso a ligar dois mundos eqüidistantes por uma variedade indescritível de sentimentos. Medroso e desconfiado demais das coisas escritas que vinham de longe eu me recolhia e chorava poeticamente por dentro.
Mas aquela escritora me seduziu ao extremo, ao ponto de me entregar a ela como um condenado que se entrega ao carrasco. Sorvi seus livros em infindos goles demasiados. E diria que ainda hoje, sinto-me por conta deles, assaz embriagado com a sensibilidade poética de Lispector.
Sentia um incontrolável desejo de devorar de uma vez por todas os seus livros. A Ucrânia agora era como o quintal de casa e o Recife o terreiro da frente. A poesia de Clarice me levava a isso – puro desvario. Por meio dos seus livros, ganhei o oco do mundo, como um cavaleiro andante dos céus montado nos contos fantásticos e nos poemas de Lispertor. Travesti-me de vez de dom Quixote e Sancho Pança. Clarice seria por fim, minha Dulcinéia. E desde então, nunca mais fui o mesmo. Posto que cresci enormemente quando a conheci em seus maravilhoso versos...
Virei gigante através da prosa e da poética daquela escritora fenomenal a quem muitos a definem como hermética e fria. Mas que eu absorvia em linguagem como ninguém, muito além dos imagináveis meneios poemáticos de mulher; musa poetisa que conseguira cantar em todas as suas dores e o seu silêncio literário os segredos da vida, as alegrias, assim como as tristezas do mundo, por meio do verso perfeito e de uma prosa ardente e fascinante.
Devo muito a Clarice. De modo que hoje, no aniversário dos 35 anos da sua morte clamo aos deuses da poesia que transmitam a Lispector toda a minha gratidão pelos seus escritos que me abriram os olhos para a vida e a mente para o imponderável existencial.
Informe: Clarice Lispector nasceu na Ucrânia em 1920. Morreu um dia antes de completar 57 anos, em 9 de dezembro de 1977 no Rio de Janeiro.
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(*) Prof. José Cícero
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