Como doe.
Como queima.
Como devora
e como arde
- toda saudade.
Mais doe,
mais queima,
mais arde...
Toda saudade
quando num só coração
não se acalenta,
e não se cabe,
sequer pela metade.
.........
J. Cícero - Aurora-Ce/06.2014
domingo, 8 de junho de 2014
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Ao Salgado - o rio mais doce do mundo*
O oceano que conheço desde muito
é este rio matuto que ainda corre calmo e lento
sobre o chão sagrado do meu terreiro imenso.
Pura imagem que eu tenho de antigos anos.
Coisas indeléveis que sempre lembro
e que jamais me esqueço.
O mar que sei e que ainda hoje trago nos olhos
é este caminho pulsante de lágrimas adolescentes
que sempre me segue serpenteando,
como uma cobra d'água
por entre os montes e por entre os matos.
Rio moleque que brincava comigo
nos meus idos anos de menino.
Enchentes e invernadas de saudades
e outros sentimentos tantos...
Coisas que não se foram com as águas.
Rio eterno que carregou dentro do peito,
como que represado para todo o sempre.
Rio que me segue onde quer que eu ande
pelas bibocas do mundo e pela vida adentro.
Rio calmo e valente.
Rio raso e profundo...
E que às vezes o tenho ainda farto
como antes em meus olhos correndo.
Rio da minha infância.
Manancial de lembranças e de afeto
a se derramar sobre as reminiscências.
Rio do meu tempo que tanto amo.
Rio passado em que mergulho fundo.
Rio Salgado.
- o rio mais belo e mais doce
que há no mundo.
...........................
Por José Cícero
In Minhas Metáfora(2014) inédito
Aurora - CE.
é este rio matuto que ainda corre calmo e lento
sobre o chão sagrado do meu terreiro imenso.
Pura imagem que eu tenho de antigos anos.
Coisas indeléveis que sempre lembro
e que jamais me esqueço.
O mar que sei e que ainda hoje trago nos olhos
é este caminho pulsante de lágrimas adolescentes
que sempre me segue serpenteando,
como uma cobra d'água
por entre os montes e por entre os matos.
Rio moleque que brincava comigo
nos meus idos anos de menino.
Enchentes e invernadas de saudades
e outros sentimentos tantos...
Coisas que não se foram com as águas.
Rio eterno que carregou dentro do peito,
como que represado para todo o sempre.
Rio que me segue onde quer que eu ande
pelas bibocas do mundo e pela vida adentro.
Rio calmo e valente.
Rio raso e profundo...
E que às vezes o tenho ainda farto
como antes em meus olhos correndo.
Rio da minha infância.
Manancial de lembranças e de afeto
a se derramar sobre as reminiscências.
Rio do meu tempo que tanto amo.
Rio passado em que mergulho fundo.
Rio Salgado.
- o rio mais belo e mais doce
que há no mundo.
...........................
Por José Cícero
In Minhas Metáfora(2014) inédito
Aurora - CE.
terça-feira, 27 de maio de 2014
SUBJETIVISMO*

Às vez sinto por mim mesmo
todo o vazio que tenho
aqui por dentro.
Outras vezes não.
Eu simplesmente existo.
Às vezes tento
esquecer que sofro tanto.
Sempre quando
alegre ou triste.
Eu estou sendo...
multidão de estranhos
dentro do tempo
a se perder de mim
no esquecimento.
Aconteço e findo
a insistir com mim mesmo
de quando em vez, lutando.
Peno e não minto.
Sou poeta errante
em meus tormentos infindos.
Sou fiel e sou escravo
deste meu pranto.
Ás vezes sinto,
outras vezes não.
Sofro e não nego.
Sou o que penso
de mim mesmo.
Além de outros tantos
pensamentos.
.....................
JC (2014). (*)
Prof. José Cícero
Secretário de Cultura e Turismo
Aurora - CE.
segunda-feira, 12 de maio de 2014
PRIMAVERA*
Trazes nos olhos
todas as primaveras do mundo
e nos teus lábios vermelhos
muxoxos e intensos beijos,
fartos sorrisos,
mistérios e segredos.
Aromas dos
matos frescos
e outros perfumes gostosos
em meio a teus enlevos.
Trazes no rosto
graças e risos imensos
assim como sentimentos vários
de contentamento e de felicidades.
E nas tuas mãos - amores,
águas de cheiro dentre muitas flores,
begônias encarnadas
e crisântemos roxos.
Trazes nos dedos
carinhos e afagos,
além de milhões de gestos superlativos.
Matutinos louvores,
gozos indizíveis que sonhamos.
Paixão e sentimentos
como amores imensos
a que por completo nos entregamos.
.............................
JC/inédito 2014 Aurora-CE.
Crédito da foto ilustrativa: http://silviamota.ning.com/profiles/blogs/flor-mulher-soneto-decassilabo
domingo, 4 de maio de 2014
NIILISMO ABSOLUTO*
Quando enfim...nada acontecer.
Nada a ver.
Nada a esperar.
[ Porque...
apenas o fim
há de ocorrer.
Nada há de ser.
Nada do que foi
nunca mais será.
Porque enfim,
seja o que for
de agora em diante
nada a fazer.
[ Porque...
nada será como dantes.
Apenas a saudade
de tudo o que foi
a cada instante
a se multiplicar.
Nada há ser.
Nada será
como foi antes.
Acaso quem viver
[ verá.
............
JC Aurora-CE.(inédito 2014
quarta-feira, 26 de março de 2014
ÓBICE TÃO SOMENTE...*
Óbice.
Nada que acaso sacie
[ ou mate
a voraz necessidade
[ ou a fome
da própria morte,
perseguindo a vida
do próprio homem.
Quer seja por azar
[ou por sorte.
Tanto no palácio
na favela, no gueto
[ou na necrópole
do mar de lama
em que se transformou
[aos poucos,
e para todo o sempre
a metrópole.
Óbice.
Nada mais que o valha
[sequer o nome.
Ou ainda quem sabe,
um Pai-Nosso,
um discurso vazio
e mentiroso.
[Um ato falho.
Uma ave-maria
como se fosse milho
jogado aos pombos.
[Um conselho.
Um defunto insepulto.
Um peso morto
a carregar pelo mundo
seu baú de osso.
Óbice.
Nada mais que se diga
[aos moucos.
Um silêncio aos gritos.
Uma sentença
[de granito.
Boa vida
ou má sorte.
Óbice, óbice, óbice...
nada mais que nos surpreenda
[ou que acaso mate,
sacie ou devore
a fome que temos
e nos devoramos.
Quer seja na vida
[ou no exato instante
da nossa morte.
........................
(*) JC - Aurora - CE.
foto>JC
terça-feira, 18 de março de 2014
CASA VELHA*
Na curva daquela antiga estrada.
Existe uma árvore velha e centenária.
- Uma enorme Aroeira,
e bem ao lado dela,
uma casinha silenciosa e solitária.
Uma tapera abandonada,
de vara, de cipó, de taipa e palha.
Na frente da mesma, uma moita de mufumbo,
uma roseira, um pé de imbu, de pitomba,
e uma frondosa cajazeira.
Uma cerca, uma cacimba seca,
um pé de Juá, um mandacaru dentre outras cactáceas.
Ao lado da casa existe ainda uma cancela,
uma cruz de madeira.
Abaixo da Aroeira, uma botija de ouro encantada,
enterrada no seio da terra.
Tapera antiga de uma megera, cachimbeira...
Uma anciã rezadeira, ardilosa e feiticeira.
Depois do silêncio...
Um som de cigarra. O medo de alma penada.
Pura imaginação da meninada.
Apenas uma casa carcomida e mal-assombrada.
Na curva daquela estrada.
Nada mais resta...
daquilo que ela foi um dia.
Além de uma ilusão antiga
- Uma mágoa.
Uma angústia. Uma solidão.
E uma enorme lembrança
que naquela casa velha
há muito e para sempre
também resolveu fazer morada.
...................
José Cícero(inédito 2014)
Aurora - CE.
foto: JC: Malhada Vermelha/Aurora.
NADA MAIS...*
Agora nada mais nos resta,
além desta solidão monótona
que como uma antiga réstia
resolveu fazer morada
nas lembranças petrificadas
entre eu e ela.
Nada mais nos resta.
Nada presta agora,
além desta ilusão dolente
parada para todo o sempre
na soleira da nossa própria porta.
Nada que acaso valha,
sequer esta lembrança
um tanto doída e ressabiada.
Uma saudade desmedida e desvairada.
como uma ferida em carne viva.
Uma fogueira apagada.
Uma dor intermitente.
Por fim, quem sabe,
e há que se diga
- uma saudade apenas.
Uma doença mal curada
e mais nada.
---------------------
José Cícero
Aurora - CE.
foto: internet
além desta solidão monótona
que como uma antiga réstia
resolveu fazer morada
nas lembranças petrificadas
entre eu e ela.
Nada mais nos resta.
Nada presta agora,
além desta ilusão dolente
parada para todo o sempre
na soleira da nossa própria porta.
Nada que acaso valha,
sequer esta lembrança
um tanto doída e ressabiada.
Uma saudade desmedida e desvairada.
como uma ferida em carne viva.
Uma fogueira apagada.
Uma dor intermitente.
Por fim, quem sabe,
e há que se diga
- uma saudade apenas.
Uma doença mal curada
e mais nada.
---------------------
José Cícero
Aurora - CE.
foto: internet
quinta-feira, 13 de março de 2014
ESTUPIDEZ DO MUNDO...*
Há muito eu tenho e carrego dentro de mim
por onde quer que eu vá ou ande.
- Mil demônios.
Quem sabe morando no meu âmago mais profundo.
Inquilinos sem nenhum escrúpulo.
Razão porque nunca estou seguro,
quando não sozinho
na companhia de mim mesmo.
Contudo, na
escuridão do meu juízo
tenho também alguns anjos tortos
- querubins e arcanjos decaídos.
Todos disfarçados como pierrôs danados
pulando e tamborilando antigos carnavais
e frevos pernambucanos
nos meus tímpanos.
Como de resto, no
meu cérebro alucinado.
Além de todos eles,
ainda tenho e sinto comigo,
Talvez por puro convencionalismo roto,
fantasmas horrendos, que suponho,
serem todos os
meus inimigos íntimos.
Seres vis e perigosos.
Dignos de pena e de cuidados.
Plebe ignara e políticos corruptos
que me perseguem
sem compaixão ou piedade
pela vida a dentro...
Bichos safados, imundos e prostituídos
correndo atrás de mim pelo mundo.
Expondo-me ao perigo
do meu próprio racionalismo.
Como ainda, a sacanear meu senso crítico
e o tempo todo pondo-me em risco.
Perseguido que sou
por uma multidão
de moribundos cachorros
que ainda por cima, se dizem civilizados.
Humanos irracionais e putrefatos.
Sociopatas escravizados.
Doentes animais mundanos...
Cães sardentos e danados...
Atravancando a paz do meu espírito,
além da retidão do
meu caminho
e do meu caráter.
--------------------
(*) José Cícero
Aurora – CE
foto: Jc/14
segunda-feira, 3 de março de 2014
EM PEDRA*
Nunca me cansei de pensar e contemplar por horas,
a metafísica surreal das pedras,
além do imenso mistério contido na dureza
e na delicadeza insólita
das suas bárbaras formas geométricas.
Sempre me encantei diante da suavidade rude
e da paciência quase budista de todas as pedras.
Como igualmente, aprendi sob o silêncio gritante e existencial
que todas as pedras do mundo encerram.
Jamais me cansei de refletir, conversar e me abstrair com todas elas.
De indagá-las sobre o imponderável
de tudo aquilo que pela vida nos cerca.
De falá-las acerca das coisas mais prosaicas e mais complexas.
Do transcendentalismo do mundo e da própria vida.
Da filosofia incompreendida que nos toca,
bem como da exiguidade do tempo e do eterno devir que me sufoca.
Do conceito estranho da tal física quântica,
da estética da arte e da poesia métrica e moderna.
Do espírito humano e da finitude de toda matéria.
Porque no fundo eu sei, que a ninguém é dado o poder de aprender
sem que antes tenha que compreender
a essencial pedagogia que possui a pedra.
Como ninguém pode ser sábio,
sem antes conseguir absorver
a superlativa linguagem que possuem as pedras.
Sim, porque toda pedra constitui uma história.
A mais pura geologia de toda lógica
e da razão pura e prática.
A verdadeira história da vida e da Terra
encontra-se escrita sobre esta mundana e extraterrena rocha.
Sobre a superfície material de todas as pedras.
De tal maneira que sempre me eduquei
e me tornei humanamente animal
através dos diálogos que entabulei com todas as pedras
que um dia encontrei pela vida.
Sou simplesmente de pedra.
Como de pedra é meu sentimento e minha vida.
.................
* José Cícero (inédito-2014)
Aurora - CE.
Foto: Massalina do Rio Salgado(sítio Volta-Aurora).
Assinar:
Postagens (Atom)


