quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Timbaúba*



Sê simples e modesta
como esta  árvore bela.
Figura altiva e  centenária.
Símbolo da vida em que se encerra.
Espécime holística da matéria.
Estética para nossas palmas.
Árvore no chão  fincada.
Deusa da vida
que no esplendor se expressa.
Sinônimo de toda beleza
como a nos mostrar
que a calma
é  janela  iluminada da natureza.
Além de refrigério e lenitivo
para a paz e a felicidade
- como riquezas
da nossa  própria alma.
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JC - Aurora-CE/2013
Foto: Jorge Remígio

terça-feira, 15 de outubro de 2013

100 Anos de Vinícius...*

 Por José Cícero*

Um Poeminha ao poetinha Vinícius de Moraes

Cem anos de nascimento
do poeta imortal:

Vinícius...
Uma dança.
Uma piada picante.
Um riso indecente.
Um whisky
em meio a outros drinks.
Graças sublimes 

de uma literatura elegante.
Um porre de poesia apenas
como louvação a este dia suave.
plena boemia.
Música e poesia.

Um gemido.
Um beijo instigante.
Gelo e bebidas inebriantes

como copos de cervejas espumantes
a embriagar a vida de todos os amantes.
Leitura poética  

adocicando o sal da terra
ante o feminismo das praias do Rio.
Belos poemas para todo o sempre.
Canções imortais de Vinícius!
Poemas e poemas...
e a vida valendo a pena.
Poética altiva e amena.
Mulheres bonitas, álcool e boemia
- eternas garotas sexy de Ipanema
a desfilarem como as ondas
no verbo que se afirma
sob o desejo praiano de gente grande
e adolescentes.
Assim como na elegância imorredoura
que se eleva e encanta na paz.
Como igualmente

na pena estética e no poema gratificante
do poetinha eterno:
- Vinícius de Moraes.


Oh poesia! 
Linda, sutil e insana.
Mesmo sendo chama 
nunca te apague.
Porque sempre é eterno 
tudo o que dura,
além de infinito tudo o mais
quando se ama.
..................
José Cícero -
Secretário de Cultura e Turismo
Aurora - CE - 2013
...................

Foto ilustrativa: http://eventosemserie.com.br
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Ao Dia do Valente Professor! Por: José Cícero


Com entusiasmo e com igual louvor
parabenizemos,
toda luta e toda coragem
do valente e destemido:
professor.
Semente de toda esperança que existe
e do amanhã que no mundo nasce
sob o belo  exemplo do amor.
Espécie de bondade 
a se espalhar por toda parte.
Sol do otimismo da vida
que sempre  irrade
pelo planeta inteiro
e nos corações que ardem
de vontade.
Pura sabedoria iluminando a sociedade
qual um campo em flor.
Guerreiro dos tempos 
e da modernidade,
Vivenciando com qual alarde
todo o valor,
importância e grandiosidade
ante o amor
que se tem pela humanidade.
Comemoremos hoje
o dia consagrado
a este herói do povo
que atende pelo nome, simplesmente,
de professor. 
..............
JC Aurora-CE 2013.
Foto:  pedagogiavida.blogspot.com

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

POESIA EM FLOR


Quando tu se fores
apenas as dores
ficarão comigo.
E uma saudade nos ares.
Sentimentos antigos.
Aromas de flores,
dores e odores
dos instantes de felicidade.
Além de quereres e vontades
atormentando-me tal qual castigo.
Lembranças  dos momentos idos.
Reminiscências...
Flores e flores selvagens
a desabrocharem dentro dos teus olhos.

Quando tu se fores.
Apenas a saudade...
Restarão-me,
além das dores.
Pura melancolia.
E quando enfim, voltares
flores e flores
encherão o mundo de beldade
e de perfumes e cores
todos os ares.
Flores e flores
espécies multicores
e raras
impregnarão de alegria
e de felicidades
toda a beleza existente
nos teus olhares.
................................
José Cícero (inédito) 2013
Aurora-CE.
Foto: http://1.bp.blogspot.com

domingo, 22 de setembro de 2013

Um Poema Simplesmente*

Fina estampa imagética.
Ótica  rara de toda beleza.
Feição superlativa
que por si mesma se expressa.
Encanto imaginativo de deusa
a encher nossos olhos de amor,
vontade de viver e alegria.
Assim como a própria vida  
de altíssima grandeza.
Farta elegância de toda a  estética
das coisas essencialmente vivas.
Riscado escultural  da forma artística.
Magna obra da natureza humana
em suas utopias  mais longínquas 
e mais bonitas.
Linguagem visual e corpórea
de tudo o mais que existe
sobre a Terra em sua lírica.
Poema verbalizado na sua forma 
mais perfeita e mais concreta.
Linda  e estilística madona
com todos os traços da arte surreal e pictórica.
Obra de arte grega 
assaz metafísica,
iluminista, altissonante e   renascentista.
Pintura deslumbrante de Eva e Afrodite.
Figura de mulher bonita tão somente.
Visão que encanta e inspira os poetas
e suaviza as agruras da vida.
Pintura surreal da Itália.
Deusa da arte e da beleza,
ora chamada simplesmente
de Natália.
.....................
JC in Minhas Metáforas Prediletas(2013)
Aurora - CE.
Crédito da foto: Natália de Paula.

domingo, 8 de setembro de 2013

Síria, a bola da vez. O que está por traz de um possível ataque dos EUA?

 Por José Cícero*

Se alguém ainda acredita que os Estados Unidos foram mesmos os responsáveis e não a Rússia, pelo fim da 2ª guerra mundial, penso que não restará mais dúvidas de que agora, eles estão prestes a deflagrarem a terceira grande guerra que, ao que tudo indica, trará consequências inimagináveis para à vida na terra. Algo quase sem nenhum paralelo na história da humanidade. Talvez, só comparável a extinção dos dinossauros fato ocorrido a cerca de 65 milhões anos.
E o estopim de tal conflito não está para ser detonado na Europa(como ocorreu no passado), mas sim no Oriente Médio por conta dos interesses dos EUA e dos seus aliados nas reservas de petróleos que a região possui. 
Mesmo escondido pela mídia, há um evidente  teatro que há muito vem sendo planejado pelos agentes do imperialismo do capital. De forma que o desmantelamento da produção de petróleo, assim como a própria instabilidade política, social e econômica daquela região é o grande propósito do governo norteamericano. Ora, o estado permanente de guerra fratricida em busca do poder no mais das vezes motivado pelas etnias religiosas compõem o grande cenário dos interesses ianque. E quando isso não existe, "eles" engendram motivos e pretextos para promovê-las. Ainda, como é possível perceber,  o avanço da democracia e do estado de direito como um valor universal  e o papel preponderante que exerce na geopolítica mundial(ao contrário do que muitos imaginam) não tem caído nas graças de nenhum governo americano. O que não é lá muito diferente do que ocorre hoje com as decisões de B. Obana - igualzinho a todos os demais.
Malgrado os discursos de fantoches, muito mais que a democracia; as ditaduras das nações consideradas interessantes(quase todas apoiadas pelos beneplácitos de Washington), têm servido à ganância dos EUA. Eis aí a grande razão que motiva o governo norteamericano a intensificar   sua política belicista, sanguinária, antidemocrática e invasionista como um verdadeiro atentado à liberdade e a soberania de diversas nações espelhadas pelo mundo afora. Contra a qual ninguém por enquanto está salvo. 
Mas alguém poderia muito bem se perguntar:  E a ONU como ficar nesta história toda? Ora, só fica. A ONU ao que se parece(infelizmente) aos poucos vem se transformando numa piada de mau gosto. Quase uma ficção quando se trata das decisões dos EUA que controla segundo sua vontade, o conselho de segurança do órgão. Basta ver como são os critérios de ingresso. Principalmente a relação entre os membros permanentes e temporários. Basta relembrarmos como foi o papel da ONU  durante as invasões dos EUA no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, além das ingerência no Egito e do apoio político, militar e financeiro à Israel  na sua escalada sangrenta contra o povo palestino na faixa de Gaza. Um genocídio. Uma vergonha que o resto do mundo  e até o Vaticano fingem que não ver. E agora, tentam invadir à Síria na ânsia de transformá-la em mais um Iraque e até(pasme) utilizando-se do mesmo pretexto. Alguém tem dúvida que o interesse não é econômico?
Não tenhamos dúvidas. Os interesses do governo americano estão longe de ser a derrubada do ditador Bashar al-Assad(simplesmente) em defesa do povo. Penso que, não fosse o apoio do imperialismo, muitos destes ditadores  nunca teriam aguentado tanto tempo no poder. O povo teria ao seu modo, feito a sua parte. O governo da Síria é nefasto( e isso é fato)  e também ditatorial, mas isso não dá o direito a nenhuma nação do planeta de promover mais mortes com o descarado financiamento da guerra, tampouco com intervenção na soberania e nos interesses internos destes países. Isso é terrorismo de estado( o maior de todos), além de ferir claramente o direito internacional e a liberdade dos povos
O povo sim, (rebeldes ou não) é quem detem este direito de lutar pelo regime que mais lhe convier.
Em resumo diria que duas velhas mentiras continuam se sobressaindo no discursos de Obama que é igual ao de G. Bush, que por sua vez era similar aos demais que lhes antecederam. Quer seja, o da suposta  defesa contra o terror(o uso de armas química e de destruição em massa) e a defesa da democracia contra a violência. Ora, quem se arrisca a dizer que os EUA não fabrica tais armas? Então, porque eles podem é o resto do mundo não? Que democracia eles defendem quando historicamente têm patrocinados as mais terríveis ditaduras(inclusive no Brasil e no Chile) e até Bin Laden e Saddan? Por que mantêm bases militares em vários territórios que não lhes pertencem(inclusive em Cuba) uma frontal agressão à soberania, à coexistência pacífica e aos tratados de não-agressão? Por que ainda agora promovem uma política criminosa de venda de armas e de espionagem internacional(inclusive contra o governo e os cidadãos brasileiros)? Por que não querem resolver o problema da fome, das guerras tribais e das doenças que assolam algumas nações pobres da África, por exemplo? Como querem que o mundo acredite num falso argumento de combate ao  terror, quando realizam o maior de todos - o terrorismo de estado? Por que querem falar da nossa Amazônia, como reserva internacional quando exterminaram seus índios e estão ao ponto de destruir seus ecossistemas ambientais por completo? Sendo inclusive, um dos maiores poluidores do planeta em face do imenso consumo de combustíveis fósseis(petróleo que ele não possuem)?
Por que são tão contrários aos acordos internacionais em favor do meio ambiente, a exemplo do protocolo de Kyoto e da Rio+20? 
Então, sinceramente, que exemplo podem dá ao mundo, senão o de toda sorte de arrogância, prepotência e intolerância na sua versão mais triste? Porque não respeitam as decisões da ONU? Creio que não será tão fácil ser os donos do planeta como pretendem. 
Eis algumas das verdades tidas como inconvenientes, que eles fazem de tudo para que o mundo não saibam. Razão porque é preciso  antevê-las na entrelinha da grande imprensa marrom que, em regra geral, bebem na fonte das agências de notícias internacionais que por sua vez estão alinhadas até à medula ao consenso de Washington. Uma das pilastras do capitalismo criminoso que defendem com unhas e dentes. 
Ademais,  todo o resto é como se diz: coisa para inglês ver. Mas nós não somos ingleses, embora muitos do alto do seu inebriante encantamento argentário jurem de pé junto que o são. Mas isso são outros quinhentos...
Viva os povos livres do mundo! Viva o povo Sírio com democracia, liberdade e paz no Oriente Médio e no planeta inteiro.
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Prof. José Cícero
Secretário de Cultura e Turismo
Aurora - CE.
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Foto: http://imguol.com
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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Poesia: Quando Chegar Janeiro...*


Quando enfim chegar janeiro
em mim já será dezembro
e eu nem me lembro
do último inverno,
em que sofri o diabo
com toda solidão do mundo
e sem teus beijos.
Mas não me arrependo.
Que venha todo o ano 
a encher meus olhos de outros sonhos.
Apenas vestirei meu terno
prenhe de primaveras nos bolsos.
Casaco antigo como meu retrato
em preto e branco.
Pois quando enfim chegar janeiro,
sairei à passeio pelos campos
a colorir com teus lábios
as flores do mundo inteiro
a fim de aplacar meu pranto.
Não temerei  tormentos...
Vencerei todos os meus medos.
Nem  calor, nem  frio, nem saudades.
Estarei em paz  não pela metade,
mas acompanhado,
comigo mesmo.
Viajarei nos ventos sobre o Nebo
e sobre os picos altaneiros
a galope dos meus sentimentos.
E das tristezas e dos dissabores
nada mais sei.
Eu nem me lembro...
Todas as alegrias terei em meus olhos
e o corpo da mulher que amo
entre meus dedos.
E no meu peito imberbe, louvores.
Porque quando  chegar janeiro
em mim já será dezembro.
Nada mais sei de outros desejos.
Quero apenas viver em paz.
E nada mais.
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José Cícero(inédito/2013)
Aurora - CE.
Foto> da Internet

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Poema para minha morte

 ... E quando eu morrer...

Se acaso eu pedir para os covardes e meus inimigos íntimos
não forem ao meu enterro.
Sei que sobrarão tão poucos para o meu pobre féretro
que é bem capaz de não haver quórum
para enterrar o meu baú de ossos.
Ninguém mais para carregar meu caixão funerário.
Mas, que assim o seja. Eis o meu desejo.
Pois  desde muito sou contrário,
a este encontro nauseabundo, ritualístico e incômodo.
Onde muitos hipócritas, cínicos e otários se reúnem
para ensaiar falsos sentimentos e ruminar seus atos 
num ambiente à guisa de  teatro.
Porém, se querem mesmo, ainda assim,
fingidamente demonstrar remorso.
Ou qualquer outra forma de piedade...
Que não seja por mim, por que não preciso,
mas por si mesmos.
Posto que eles próprios há muito que morreram
e se mantêm salgados pelos crimes e pelo ódio.
Não havendo ninguém que  de fato
queiram ir aos seus enterros.
Mortos-vivos são todos... Pobres coitados!
Cadáveres podres e insepultos gastando em vão
todo o perfume do mundo.
Covardes, oportunistas, mentirosos e vagabundos.
Cupins humanos, devorando a vida,
Além de destruir e envergonhar todo o resto.
E se ainda assim,
teimarem em ir ao meu enterro,
saibam que lá estarei um tanto altivo
rindo às pampas da cara de todos eles.
Porque eles é que estão mortos.
Eu apenas evolui para renascer de novo.
Além do mais, permaneço eterno
nas figuras dos meus filhos. 
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José Cícero (inédito-2013)
Aurora - CE.
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Isaías Arruda e Marica Macedo são temas do Cariri Cangaço 2013

O célebre atentado contra Isaías Arruda na estação do trem de Aurora - 

Por José Cícero


Cel. Isaías Arruda - filho de Aurora ex-pref. de M. Velha
Estação de Aurora, aqui tombou Isaías Arruda em 1928

A tarde estava cinzenta naquela Aurora pacata e provinciana de 1928. Uma enorme sensação de tranqüilidade cobria os semblantes dos viajantes, assim como o coração e o pensamento da multidão que se aglomerava na pedra da estação aguardando o trem. Uma cena comum em todas as cidades interioranas atendidas pelo velho comboio da Rede Ferroviária Cearense(RVC).

Nuvens cor de chumbo em formação pareciam prenunciar no céu daquela Aurora antiga e calma, algo diferente prestes a ocorrer: uma tragédia. Logo se constataria...

Naquela tardezinha quase insossa de sábado, dia 4 de agosto de 28 quando muitos já se esqueciam dos episódios de um ano antes, relacionados à presença do rei do cangaço na terrinha; o velho aparelho do telégrafo da RVC de novo estava prestes a receber no código morse um telegrama diferente. Um comunicado estranho; digamos que chave, para os desdobramentos do acontecimento dramático que se seguira ao fato:
Jagunços do cel. sob o comando de Zé Gonçalves. Foto de 26 Ingazeiras
- “Antonio, algodão hoje sobe!”. Eis a mensagens...
Uma missiva quase enigmática considerando que o algodão – o ouro branco d’Aurora daquele tempo, faria sempre o sentido contrário, ou seja, descia pras bandas do litoral. E o seu preço no mercado há muito era de todos conhecido.
Porém, aquela mensagem sertanejamente codificada não seria de todos estranha. Havia um destino e um desiderato certo: os paulinos com o fito de surpreender o coronel. 
Dizia muito mais do que ali estava escrito de modo lacônico... A estação de Aurora estava repleta de gente. Um acontecimento que se tornara comum deste a sua inauguração festiva, oito anos antes, isto é, em 7 de setembro de 1920.
E a cronologia do momento seguinte, logo provaria para todos que o pano de fundo era um crime. Um atentado violento à ordem e a vida em nome da vingança e da intolerância de uma região marcada pela lei do bagamarte. Uma intriga passada à limpo. E como se viu, expressa na força da violência e da ignorância em detrimento da razão e da justiça. Sinais de uma época densamente marcada pelo poder de fogo do coronelismo oligárquico, engendrado pelos mais temíveis e truculentos líderes políticos que o Cariri cearense já experimentou um dia. Um período onde a lei no mais das vezes, quando prevalecia, era a do mais forte.  Enquanto a justiça quase sempre, era feita, via de regra pelas próprias mãos, em geral, dos poderosos.
Estação de Aurora em dia dia exposição de fotos antigas
Naquele sábado, de uma tarde escura de agosto, a estação de Aurora não demoraria a ser palco de um episódio que  marcaria à história do Cariri e do Ceará para sempre como um nódoa incômoda. Vez que envolveria, aquele que foi certamente, o mais famoso e temível chefe político da região: o coronel Isaias Arruda de Figueirêdo. Filho do lugar, ex-delegado de polícia, então prefeito pela força da vizinha Missão Velha. E, de quebra, o maior dos coiteiros de Lampião no interior cearense. Um autêntico mantenedor de jagunços e hábil negociador político junto aos potentados da vizinhança, assim como os grandes da capital.
O tempo escorria tal qual o suor no rosto daquela turba de anônimos já impacientes pela delonga. O relógio do prédio apontava 14h25min quando, finalmente, todos puderam escutar o apito estridente da velha máquina a ecoar no horizonte.  Apenas Sabina, entretida demais com o seu café, não se deu conta daquele acontecido. Todos, de repente voltaram suas atenções na direção do corte-grande lá pras bandas do alto da cruz, do sito Frade. A paz da Aurora estava prestes a sofrer um abalo...
O trem da Fortaleza vinha ligeiro e enfezado beirando o rio Salgado na ânsia de chegar tão logo às terras do Crato. E chegou à Aurora. Esbaforido e com sede como se fosse um animal cansado
Enquanto exímios chapeados transportavam com pressa e sem nenhum cuidado, grandes caixotes, sacos, pacotes e outros fardos de mercadorias aos sopapos. Uns desciam para o armazém da RVC outros subiam para os vagões do trem com destino ao Crato. Animais, coisas de madeira, artesanato, aguardente, rapadura, oiticica, panelas de barro. O trem acelerava a curiosidade, tanto quanto a economia daquela vila quase esquecida no oco do mundo.
Mas de repente, o som de um tiro seco ribombeou no ar. Quebrando a normalidade natural daquele acontecimento diário. Em seguida, vários outros disparos puderam ser ouvidos no interior do segundo vagão da primeira classe. Talvez sete ou oito no total... Até hoje ninguém sabe ao certo. Um silêncio quase sepulcral se abateu na plataforma por alguns instantes que pareceram eternos. Somente o roncar da locomotiva um pouco mais a frente estacionada defronte a caixa d’água. Em seguida uma correria...
Vozes diziam tratar-se de uma discussão. Três homens saíram atracados e em seguida correram no sentido contrário do vagão. Uma disparada em direção do armazém e depois para o beco da antiga rua que dava para o cemitério. De súbito, um quarto homem um tanto elegante, rosto jovem e bem tratado. Gestos aparentemente finos, surgiu do segundo vagão da primeira classe. Vestia impecavelmente um terno de linho branco. Olhar altivo. Pisou de modo esquisito e desaprumado o piso, a pedra da estação. Alguns passos apenas e cambaleando fitou a multidão como quem quisesse dizer algo. Não foi possível. Sangrando e com a mão direita colada ao peito chamava baixinho pelo primo. 
O linho branco do seu terno agora começava a se tingir de vermelho. Seus sapatos de cor marrom e bem polidos contrastavam com o vermelho escuro do seu próprio sangue formando poças na plataforma enfumaçada. Era o coronel Isaias Arruda, chefe político, filho da terra. Prefeito da Missão Velha. Alguém logo afirmara em meio a multidão de curiosos. 
Homem afamado em toda região, desde as bibocas à capital do estado. Um líder corajoso e ousado. Devagar caiu ao chão da plataforma ainda com arma intacta junta ao cinto. Não teve tempo sequer de usá-la.
Alguém saindo de dentro do vagão posterior se aproxima dele e forra o chão da pedra com um jornal que lia; edição do dia 3. Seu braço esquerdo e parte superior do tórax estavam em frangalhos. 
Ferimentos gravíssimos provocados pelos vários balanços com que fora atingido mortalmente. E o coronel, mesmo seriamente alvejado, bastante ferido, pronunciou baixinho quase inaudível:
- Os irmãos paulinos me acertaram! 

Eles me acertaram! 
- Mas como é que nem o Viana nem ninguém me avisou que meus inimigos estavam aqui?! 
Oh, Bando de covardes...
E de chofre emendou:
- alguém me chame o farmacêutico!
Foram os Paulinos, eles me acertaram... repetiu: - Bando de covardes!

Outros mais ousados iam  aos poucos  se aproximando da vítima que gemia deitada ao solo da pedra, sobre as folhas do jornal ‘O Ceará’. Enquanto isso, um mais pouco afastado da estação José Vicente ou Nezinho de Milica, dois  primos  saíram em perseguição(ou fugindo) dos irmãos paulinos: Antonio e Francisco, responsáveis pelo atentado.
Foi levado para à residência de Cícero Ferreira do lado do poente  e, em seguida, para a de  Augusto Jucá um antigo amigo morador da rua grande. Isaías foi socorrido. Inicialmente por um farmacêutico prático - o único que existia na cidade. No dia seguinte, bem cedo, dois médicos de Iguatu vindo de trole pela linha da RVC: Antenor Cavalcante e Sérgio Banhos atenderam o coronel. Porém, diante da gravidade dos ferimentos não tiveram como salvá-lo. Sendo que no dia 8 de abril uma quarta-feira às 6h da manhã, quatro dias após ter sido baleado, Isaías Arruda faleceu como que por capricho do destino na terra em que nasceu, foi batizado, cresceu, casou e foi delegado.
Antiga Fazenda Ipueiras do cel. Isaías em dia de Cariri Cangaço

Rumores apontaram ter sido o assassinato uma vingança de Lampião pela suposta traição do coronel um ano antes, durante o célebre “fogo da Ipueiras” (fazenda de sua propriedade) ao lado de Zé Cardoso e o major Moisés Leite de Figueiredo. Além da tentativa de envenenamento do bando lampiônico, em cujo local Virgulino se arranchara por diversas vezes. Ocasião em que o rei do cangaço fugia das volantes, após o fracasso da invasão à Mossoró, arquitetada sob as estratégias de Massilon Leite e financiada pelo próprio coronel.
Mas o certo, segundo se provaria logo depois, foi que os paulinos vingaram o assassinato do irmão mais velho João, morto numa emboscada no serrote d’Aurora pelos jagunços de Arruda no ano anterior.
Terminava ali de modo trágico, na estação ferroviária de Aurora a verdadeira saga de um dos mais temíveis e respeitados coronéis do Cariri - Isaías Arruda de Figueirêdo. Assim como, sua rixa ferrenha contra os irmãos paulinos da Aurora.
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Prof. José Cícero.
Escritor, Pesquisador e Poeta -
Secretário de Cultura e Turismo de Aurora - Ce.
jcaurora.blogspot.com
www.blogdaaurorajc.blogspot.com
  Fotos: arquivo JC
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SERVIÇO:
<<< Cariri Cangaço 2013<<<<
em setembro o Cariri apresenta: Palestras:
EM MISSÃO VELHA - ISAÍAS ARRUDA
E EM AURORA  DIA 20 DE SETEMBRO 
19 H- MARICA MACEDO DO TIPI. 
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- Por: José Cícero
Foto inédita de Marica Macedo do Tipi
Prefeito Adailton Macedo ao lado do Dr. Vicente Landim
Pracinha em frente a capela no distrito do Tipi
Aquarela do sítio Mel onde viveu o clã da matriarca do Tipi

Aurora reencontrando a sua verdadeira história durante o Cariri Cangaço 2013

Contemporânea da intrépida lavrense Fideralina Augusto Lima, Generosa Amélia da Cruz em Santana do Cariri,  além dos feitos e ações que nos remetem até mesmo à  heroína Bárbara de Alencar -  Maria da Soledade Landim – 'Marica Macedo do Tipi d’Aurora', compôs com folga de mérito e valentia o histórico quarteto  das chamadas matriarcas dos sertões caririenses.   
Nascida no século XIX ao que tudo indica no início de 1865  na Gameleira do Pau  sobre a  serra do Araripe,  região do Jamacaru (bem ao lado da fazenda  Serra do Mato do não menos famoso cel. Santana – conhecido coiteiro de Lampião)  em Missão Velha.
Filha de João Manuel da Cruz(Joca da Gameleira) e de Dona Joaquina de Sales Landim(D. Quininha). Casara pela primeira vez entre 1883-1885 na igreja de Missão Velha com José Antonio de Macedo(Cazuzinha do Tipi)  seu parente. Ambos descendentes dos “Terésios. Em 1891 o casal decidiu  morar em Aurora  comprando a propriedade do sítio Sabonete onde mais tarde se formaria a vila Tipi; local onde  fixaram residência até o fim da vida.
Informações esporádicas dão conta de que era uma mulher de gênio, determinada e de inteligência incomum para aqueles tempos. Além de ousada, perspicaz e valente, notadamente quando se tratava  de defender  posições e  os interesses do seu clã.  Mesmo numa época  em que  imperava a supremacia do sistema patriarcal que, via de regra, relegava à mulher  a uma posição social das mais subalternas.  No mais das vezes, relegada aos afazeres domésticos, conquanto  confinada à cozinha e a criação da prole.
De tal forma que, qualquer tentativa de se contrariar  o velho padrão era encarado quase como  um sacrilégio. Porém,  com Marica do Tipi, o que  até então era tido como  regra,  acabou dando lugar à exceção. Pelo menos por aquelas bandas do sertão do Ceará... E assim foi que ousou, desafiou e se impôs do seu modo particularmente austero e imperativo ao status quo vigente. 
Por sua coragem e valentia  de autêntica ‘amazonas sertaneja’, logo se tornou conhecida, influente e respeitada  por todos os quadrantes do Cariri e  região circunvizinha. Tanto que, ainda hoje alguns historiadores a denominaram de “a coronel de saia” ou simplesmente de ‘a brava sertaneja de Aurora’.
A força do seu nome, portanto foi muito além  do riacho do Tipi de onde construiu o seu  poder, que além de político era alicerçado no latifúndio, no criatório de gado,  lavoura  de milho, algodão, casa de farinha e  engenho de rapadura. Gostava de  ideias  novas e pioneiras. Como por exemplo, quando Antonio Macedo (seu filho), assumiu a prefeitura em 1919 ela ordenou que o município fosse divididos em quatro partes  no sentido de facilitar   administração. Cabendo a ela própria gerir os problemas e os interesses da região que ia do sítio Cobra, Sabonete, Mel e Tipi até à fronteira com a Paraíba. Há quem diga, que fizera  uma excelente administração.
Da casa grande, quanto   da bagaceira do eito dava ordens  aos seus comandados com  a mesma autoridade e energia dos coronéis  do seu tempo. Suas determinações, portanto, tinham verdadeira força de lei. Tornando-se, por conseguinte, uma mulher de invejável poder e respeito não somente no que tange às questões familiares, como inclusive  na política aurorense onde se pontificou por vários anos não, diretamente, mas através de filho,  parentes e aliados.
Esteve no centro de questões emblemáticas, a exemplo do chamado “fogo do Taveira” que redundou  na invasão e saque de Aurora em 1908 por mais de 600 jagunços sob o comando de Zé Inácio do Barro ante os auspícios de quase todos os coronéis da região. Ocasião em que foi deposto  por meio das balas o então intendente municipal Antonio Leite Teixeira Neto(Totonho de Monte Alegre), substituído que foi pelo fiel aliado de Marica, o cel. Cândido do Pavão. 
Um episódio que, de tão marcante e violento ainda hoje ocupa lugar de destaque tanto na crônica historiográfica, quanto nos anais da história do Cariri, do  Ceará e do Nordeste.
O  tal  “Fogo do Taveira” aconteceu  entre os dias  16 e 17 de dezembro de  1908 no sítio Taveira de Aurora, situado já nos limites de Milagres contíguo ao Barro.  Cerrado tiroteio quando foi morto o filho mais novo da matriarca - José Antonio de Macedo(Cazuza) de apenas 14 anos sendo também alvejado o proprietário da casa.  
Coincidentemente,  naquele mesmo dia fatídico e  na mesma ribeira, acontecia a  polêmica demarcação das célebres  minas do Coxá pertencentes ao padre Cícero Romão Batista. Por sinal, objeto de disputa entre o sacerdote do Juazeiro e pequenos sitiantes do lugar. O que decerto, contribuiu  muito mais para o acirramento dos ânimos entre a gente do coronel Totonho de Monte Alegre, Marica Macedo, Zé Inácio do Barro e coronel Domingos Furtado de Milagres.
Sabendo disso, Marica   solicitou ajuda a Floro Bartolomeu que se encontrava nas imediações do sítio Maracajá(Pavão) liderando um  grupo de jagunços armados até os dentes. Contudo, não querendo participar diretamente do conflito, o representante do padre Cícero apenas usou do seu prestígio junto ao então governador do estado -  Nogueira Acióli que  ordenara a retira imediata do destacamento policial que dava apoio ao cel. Totonho. O que facilitou ainda mais a estratagema para  a invasão e deposição do então intendente municipal.  
Assim, o 'fogo do Taveira' representou  o verdadeiro estopim para a invasão e saque de Aurora, pela jagunçada coronelista  a mando dos maiores potentados  da região. Em cumprimento ao pedido de Marica. Como era comum  naquele tempo, todos os grandes coronéis, invariavelmente, possuíam  seus grupos particulares de jagunços e cangaceiros.
O fato predito culminou com   a deposição forçada do então intendente Cel. Antonio Leite Teixeira Neto(Totonho de Monte Alegre) que aliás, parente de Marica Macedo.  Sendo em seguida colocado em seu lugar o cel. Cândido do Pavão, por seu turno, rendeiro-mor e amigo do padre  Cícero, além aliado incondicional da matriarca do Tipi.  
Quando  viúva, casara  pela segunda vez em 1906   com o barbalhense Antonio Abel de Araújo.   Mandona e dominadora, dizem que não costumava levar desaforo pra casa. Nada acontecia na Aurora do seu tempo, quer seja  na política quanto nas questões mais comezinhas que não fosse do seu inteiro conhecimento. Influente e respeitada era de fato uma grande liderança. Ao passo que também, tinha a força de juiz, prefeito, delegado, assim como senhora de engenho e conselheira familiar. Uma mulher sertaneja que, dentre outras qualidades, se notabilizou  sobretudo por está muito além do seu tempo...  
Morreu supostamente de ataque cardíaco em 6 de janeiro de 1924 na residência de sua filha, localizada  a rua José dos Santos, na beira fresca de Aurora.
  Tema do Cariri Cangaço 2013  em Aurora:
  
Na noite do próximo dia 20 de setembro durante o seminário Cariri Cangaço 2013 em grande estilo Aurora celebrará pela terceira vez, tanto à memória quanto o resgate desta palpitante  história  protagonizada  por  Marica Macedo,  quando se comemora a passagem dos  148 anos do seu nascimento.  
A palestra ficará por conta do seu neto, o Dr. Vicente Landim de Macedo residente na capital federal e presidente de honra da AFA-Brasília*. Indubitavelmente, um momento dos mais afirmativos em que a população aurorense será convidada a conhecer um pouco mais  acerca da história de uma das mais célebres mulheres do Cariri e do Nordeste brasileiro.  
Um instante de verdadeira celebração da geração do presente  com  alguns  dos grandes acontecimentos do seu passado.  
Por fim,  um verdadeiro brinde ao resgate e a preservação da  memória histórica de Aurora, do Cariri e do Nordeste.
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Prof. José Cícero
Secretário de Cultura e Turismo.
Pesquisador do Cangaço
e Conselheiro do Cariri Cangaço.
Aurora – CE.
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Obras Consultadas:
Aurora, História e Folclore – Amarílio Gonçalves Tavares
Marica Macedo, a brava sertaneja de Aurora – Vicente Landim de Macedo.
Matriarcas do Ceará(Papéis Avulsos) – Raquel de Queiroz e Heloísa Buarque de Hollanda.
Estirpe de Santa Tereza – Joaryvar Macedo.
Venda Grande d’Aurora – João Tavares Calixto Jr.
Império do Bacamarte – Joaryvar Macedo.
Revista Aurora – jc: edição 2007.
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SERVIÇO:
SEMINÁRIO CARIRI CANGAÇO 2013!

AURORA:

Dia 20 de setembro de 2013 
TEMA: “Marica Macedo do Tipi – Sertaneja d’Aurora, Matriarca do Cariri”.

Dr. Vicente landim de Macedo.  
Neto de Marica, Presidente de Honra da AFA-Brasília.
Secult-PMA. 
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Fotos: arquivo JC
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