quinta-feira, 15 de março de 2012

Umas palavras... Ao dia da poesia.

Por José Cícero

Quando ninguém mais acreditou
que possível seria.
Todo o escuro das crenças se dissipou
num só instante.
Os olhos se encheram de lágrimas,
Otimismo e flor.
E a consciência voou
com os pássaros das montanhas.
Depois daquele instante inusitado
todos voltaram a ser crianças inocentes.
A humana raça se deu conta
do fantástico.
Riu-se como nunca na vida.
Um riso atrevido e adolescente.
Acendeu-se a luz plena da esperança.
A vida encheu-se de felicidade e alegria.
E todas as gargantas antes empoeiradas
Impregnaram-se de poesia.
Cessaram-se todas as angústias.
E os estudantes
apagaram com suas borrachas
o sofrimento.
O mundo encheu-se de sorrisos.
E logo em seguida: Uma calmaria...
Veio o silêncio.
E na seqüência
- Milhões e milhões de beijos.
Nascia ali o poema.
Desde então,
o idioma universal
passou a ser chamado simplesmente
pelo nome de poesia.
------------------------

José Cícero
Secretário de Cultura - Aurora/CE.

Imagen ilustrativa da Internet

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sábado, 3 de março de 2012

Razão Vertical... - Por José Cícero


Insisto, pois foi Lacan que me disse.
Que eu nunca desistisse
de pensar o mundo como o vejo e sinto
do meu jeito subjetivo,
carregado de sentido
e estranhamento.
Como igualmente,
pela ótica insubmissa e racional
de todas as ciências psicanalistas e filosóficas
que manuseio entre meus dedos.
Humanismo histórico e sobrevivente
que me restou do mal e do medo
quando um dia eu quis pensar a vida
de um modo diferente e por mim mesmo.
Cartesiano absolutismo.
- Antigos tempos de luzes insistentes.
Iluminismo roto - literal estrupício.
Razão que Cogito, muito além de tudo o mais que existe.
De Sartre, Kant e Nietzsche –
Múltiplas esquisitices e outras coisas minhas
que eu diria: nem Freud explica;
ante a barbárie cada vez crescente...
Caos cultural de toda gente.
Terror social que ora se instala como que para sempre
no escuro dos olhos dos poetas tristes.
E no coração de pedra dos acadêmicos vazios.
Solo estéril de tudo.
Semente que morreu.
Sede de conhecimento universal.
Crise pensamental
de uma civilização inconseqüente
ora sem jeito.
Hecatombe ambiental.
Capitalismo insano e mortal.
Gente gregária.
Plebe ignara.
Rasteira filosofia dos salões do mundo.
Escrava nua –
Visão sibarita de todo mau civilizacional.
Plena política - Concubina social
que nos devora e escraviza a consciência.
Vampíricas utopias.
Formigas de roças –
a carregar sobre as costas
toneladas e toneladas
de letras sem graças e mortas.
Famélica e sanguinolenta poesia
sobrevivente de uma guerra suja e fria.
Nauseabunda ontologia
que nos envergonha e devora.
Resquícios do pensamento transcendental.
Sociedade contemporânea: tragédia,
subproduto da catástrofe ocidental.
-----------------------------------------------------------
(*) José Cícero - Secretário de Cultura
Aurora - CE.

In "Minhas Metáforas prediletas" - Inédito(2012)

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quinta-feira, 1 de março de 2012

BRASIL, UM EXEMPLO DE QUÊ?

Comentado por: Marília Domingues

Texto retirado na íntegra do blog do Paulinho
(via pensando em voz alta)


O jornalista Carlos Alberto Sardenberg, "brinda" seu leitores hoje, com uma matéria no Estadão, no mínimo curiosa, em se tratando de um profissional que já está a tanto tempo na estrada, cobrindo a área econômica, espera-se sempre algum conteúdo. Porém, ele sempre vai falando "economês" -que é a língua predileta daqueles que querem elucubrar sobre seus "entendimentos macroeconomicos", e defendendo o grande capital, e óbvio, seus patrões.

Aliás, esse blogueiro, do alto de sua humilde limitação em economês, não poderia deixar aqui, de dar um "salve" à tróika: Sardenberg, Lúcia Hippólito e Mirian Leitão, todos eles funcionários da Globo, e também têm em comum uma criação de urubús em baixo da cama que todos os dias, puxam a gaiola logo pela manhã, tocam as trombetas, e lá vão falar da ecatombe que se aproxima, e nunca chega. Isso virou um rotina, todos os dias nos deparamos com a tróika, trombeteando o apocalípse. Tem sido assim deste 2002, quando Lula assumiu o comando do país, até hoje.

Voltando ao artigo do "competente" Sardenberg, sob o título: "Brasil, um exemplo de quê?" - no velho estilo, "síndrome de cachorro vira-latas" - como dizia o saudoso Nelson Rodrigues, ele desfia venenos, sem fundamento técnico, e mistura alhos e bugalhos, que vão de Hilary Clinton, sistema de saúde brasileiro, até a internação de Hugo Chaves, num "hospital privado" brasileiro.

Em sua colcha de retalhos, como a matéria tem um direcionamento, ou talvez seja encomendada por alguém, o tempo inteiro ele omite por exemplo, que a maior falha do sistema tributário brasileiro, é taxar violentamente o consumo, portanto o pobre é quem paga mais impostos no Brasil, em detrimento de taxar os ricos e suas grande fortunas. Deixando seus leitores cientes, que no Brasil, se faz uma tranfusão de sangue do médico para o doente, e nesta linha, como gosto sempre de dizer, as soluções apresentadas costumam vir sempre, no sentido de"acabar com os carrapatos, matando a vaca", é isso que ele propõe, em sua matéria, sem pé, e sem cabeça.
ENTENDA COMO FUNCIONA A ECONOMIA NO BRASIL:
Um cidadão comum, que tem um salário na faixa dos R$ 3 mil, terá sua renda, quase inteira consumida em produtos de primeira necessidade, ou seja a maior parte de seus ganhos, serão gastos com: arroz, roupas, sabão, gasolina, óleo, justamente os produtos que são taxados de fato, sem que a classe menos favorecida, tenha como fugir deles, pois os impostos já estão todos embutidos. Sem contar, que seu salário, tem o imposto retido na fonte, ou seja, ele não tem por onde escapar, ao contrários dos ricos, que têm mil brechas.

Agora, o sujeito que ganha bem, tem uma renda alta, tem cacife para consumir outros tipos de produtos, que ou é menos taxado, ou sem taxação alguma, pois após sua fase de consumo básico, ele passa a adquirir obras de artes, investir em jóias, dificultando assim o rastreamento do seus investimentos, bem como a taxação de impostos. É para esse público, que a tróika: Sardenberg, Hippólito e Leitão, escrevem suas brilhantes matérias, abusando da inteligência do leitor médio, e fazendo a lição de casa para seus apaniguados.
Leiam essa pérola do Sardenberg:
"(...) O Sistema Único de Saúde (SUS) é admirado em alguns países da América Latina, pela sua ampla capacidade de atendimento. Mas o pessoal talvez não saiba que, além de recolher os impostos que financiam o SUS, cerca de 45 milhões de brasileiros pagam planos de saúde privados. (E que Hugo Chávez vai ser tratado num hospital privado, onde se trataram, aliás, José Alencar e Dilma Rousseff)." Vocês entendem a razão desse comentário fora do compasso?

Finalizando: Como acreditar numa democracia plena, com os meios de comunicação controlados por 11 famílias - e com uma orda de "jornalistas" - que fazem esse tipo de ação, no sentido de informar quem? Estão à serviço de quem?

Não é difícil imaginar que "jornalistas" que criam urubús debaixo da cama, nunca terão compromisso com a verdade, muito menos com a ética.

Meus comentários aqui hoje, referem-se tão somente, a uma materiazinha no Estadão, porém, só a tróika aqui citada, fica das cinco da manhã, até meia noite, batendo na mesma tecla, se utilizando da filosofia de Joseph Goebbels que foi o ministro do Povo, Alegria e da Propaganda de Adolf Hitler (Propagandaminister) na Alemanha Nazista, exercendo severo controle sobre as instituições educacionais e os meios de comunicação. Ele dizia que "uma mentira repetida muitas vezes, torna-se verdade."
Quem tiver interesse em ler as abobrinhas de Sardenberg no Estadão -clique aqui'
Voltando ao artigo do "competente" Sardenberg, sob o título: "Brasil, um exemplo de quê?" - no velho estilo, "síndrome de cachorro vira-latas" - como dizia o saudoso Nelson Rodrigues, ele desfia venenos, sem fundamento técnico, e mistura alhos e bugalhos, que vão de Hilary Clinton, sistema de saúde brasileiro, até a internação de Hugo Chaves, num "hospital privado" brasileiro.
Em sua colcha de retalhos, como a matéria tem um direcionamento, ou talvez seja encomendada por alguém, o tempo inteiro ele omite por exemplo, que a maior falha do sistema tributário brasileiro, é taxar violentamente o consumo, portanto o pobre é quem paga mais impostos no Brasil, em detrimento de taxar os ricos e suas grande fortunas. Deixando seus leitores cientes, que no Brasil, se faz uma tranfusão de sangue do médico para o doente, e nesta linha, como gosto sempre de dizer, as soluções apresentadas costumam vir sempre, no sentido de"acabar com os carrapatos, matando a vaca", é isso que ele propõe, em sua matéria, sem pé, e sem cabeça.
ENTENDA COMO FUNCIONA A ECONOMIA NO BRASIL:
Um cidadão comum, que tem um salário na faixa dos R$ 3 mil, terá sua renda, quase inteira consumida em produtos de primeira necessidade, ou seja a maior parte de seus ganhos, serão gastos com: arroz, roupas, sabão, gasolina, óleo, justamente os produtos que são taxados de fato, sem que a classe menos favorecida, tenha como fugir deles, pois os impostos já estão todos embutidos. Sem contar, que seu salário, tem o imposto retido na fonte, ou seja, ele não tem por onde escapar, ao contrários dos ricos, que têm mil brechas.
Agora, o sujeito que ganha bem, tem uma renda alta, tem cacife para consumir outros tipos de produtos, que ou é menos taxado, ou sem taxação alguma, pois após sua fase de consumo básico, ele passa a adquirir obras de artes, investir em jóias, dificultando assim o rastreamento do seus investimentos, bem como a taxação de impostos. É para esse público, que a tróika: Sardenberg, Hippólito e Leitão, escrevem suas brilhantes matérias, abusando da inteligência do leitor médio, e fazendo a lição de casa para seus apaniguados.
Leiam essa pérola do Sardenberg:
"(...) O Sistema Único de Saúde (SUS) é admirado em alguns países da América Latina, pela sua ampla capacidade de atendimento. Mas o pessoal talvez não saiba que, além de recolher os impostos que financiam o SUS, cerca de 45 milhões de brasileiros pagam planos de saúde privados. (E que Hugo Chávez vai ser tratado num hospital privado, onde se trataram, aliás, José Alencar e Dilma Rousseff)." Vocês entendem a razão desse comentário fora do compasso?
Finalizando: Como acreditar numa democracia plena, com os meios de comunicação controlados por 11 famílias - e com uma orda de "jornalistas" - que fazem esse tipo de ação, no sentido de informar quem? Estão à serviço de quem?
Não é difícil imaginar que "jornalistas" que criam urubús debaixo da cama, nunca terão compromisso com a verdade, muito menos com a ética.
Meus comentários aqui hoje, referem-se tão somente, a uma materiazinha no Estadão, porém, só a tróika aqui citada, fica das cinco da manhã, até meia noite, batendo na mesma tecla, se utilizando da filosofia de Joseph Goebbels que foi o ministro do Povo, Alegria e da Propaganda de Adolf Hitler (Propagandaminister) na Alemanha Nazista, exercendo severo controle sobre as instituições educacionais e os meios de comunicação. Ele dizia que "uma mentira repetida muitas vezes, torna-se verdade."
Quem tiver interesse em ler as abobrinhas de Sardenberg no Estadão -
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Um sonho: Uma viagem que fiz com o poeta chileno Pablo Neruda

Quero beber Neruda gota a gota. Em toda a sua mais fantástica poesia universal chilena. Subir nos Andes, a cordilheira altíssima, embriagar-me de absinto, cerveja e vinho de uva. Num porre homérico sob a sinergia poética e revolucionária de Neruda.
Quero, incontinenti, beber Neruda em toda a sua auspiciosa faina. Subir o topo mais alto do planeta e quem sabe, depois da cordilheira; fartar-me de uma poesia errante e aventureira. E assim, viajarei sobre as nuvens nas asas de todas as águias e dos pássaros das montanhas. De onde fatalmente chegarei ao Araripe do nosso Patativa. Porei os meus pés pela primeira vez no pico das bandeiras, da Neblina e o cume perigoso do Everest. Ascenderei ao sagrado píncaro do Nepal. E junto com Neruda amarei todas as mulheres das Américas andinas. Misturarei meu sangue com os das belas etnias das índias cordilheiras. Rezarei para Buda. Canterei uma litania para todos os espíritos de luzes...

Serei a própria poesia de Neruda na sua dimensão mais autêntica, etérea e mundial. Vestirei-me por assim dizer, de um grande poeta universal. Encherei-me de livros.
Quero beber Neruda em grandes taças de italiano cristal. Salgar sua lavra em pergaminhos antigos e palimpsestos com o sal chileno tirado do solo pátrio daqueles desertos infernais.

Por fim, levarei todos eles comigo, envoltos em peles de lhanas e de búfalos africanos. Desafiarei o próprio Saara ocidental. Quero me fartar dos poemas de Neruda. Chorar seus versos mais fortes e comovidos em sua própria fonte, subindo as serras de todos os altiplanos do velho Chile. Chorar demasiadamente em todos os sentimentos idiomáticos e emoções humanas a sua poesia construtiva e sentimental. Sentir em meus dedos todas as expressões do mundo, assim como o sentimento de Drumond e de Garcia. Como ele próprio(Neruda) um dia, chorara mui profundamente em si mesmo, a trágica morte do seu socialista amigo Allende(suicídio ou assassinato?). Ah como dói, sentir todo o ódio e todo o asco a la Pinochet...
Quero contemplar o mundo numa perspectiva diferente, do alto dos Andes chilenos, embevecido pela poética afirmativa e forte de Neruda. Sentir o calor dos trópicos e o frio das minas do longo deserto do Atacama, mascando as sagradas folhas de coca extraídas pelas mãos delicadas das belas índias bolivianas, bem como das matas guerrilheiras da Colômbia. Ultrapassar a largos passos a linha imaginária dos trópicos e meridianos.
Banhar-me junto de Neruda nas águas mornas das ilhas Galápagos(mares e rios), vislumbrar o mesmo cenário inusitado de Darwin, já para as bandas do velho Equador. Onde o mestre se encantara um dia. Surpreender-me com todos os enigmas de Nazca no Peru e logo em seguida, me embrenhar na densa selva colombiana na direção tangente para a Venezuela.
Quero com o velho Neruda pisar, igualmente, o sagrado chão onde a CIA certa feita, matou covardemente Che Guevara – léguas tiranas manchadas de sangue guerrilheiro da província de La Higuera – inóspitas matas quase inda hoje abandonadas da Bolívia.
Quero este passeio sugestivo, sulmamericano com Neruda. Depois fumarmos juntos, um Havana adocicado romanticamente pela língua e a saliva das bonitas, educadas e românticas mulheres cubanas. Hálito guerrilheiros, mares bravios, sentimentos fugidios, segredos íntimos e indizíveis.

Cantar e dançar a sua boa música. Ler José Marti e desafiar toda a ignorância e a prepotência ianque de uma Miami falida. Quem sabe, sob vários goles do mais puro rum e de tequila, olharmos nos olhos as estátuas de Marti, Cami, Che e Simon Bolivar.
Dançar com todas as belas donzelas do Chile e das Américas, bebendo o supra-sumo da poesia chilena e universal de Pablo Neruda. Experimentar a sua velha boina na minha própria cabeça como o próprio solidéu de um papa diferente que viveu e toda a tragédia e o sofrimento da sua gente como na própria pele.
Olhar de perto a sua inimitável caligrafia. Sentir seu jeito amigo e acolher em mim mesmo todos os seus conselhos. Voar decididamente sob o céu da Terra e da amada pátria de Neruda. Tecer longas conversas noite adentro com o poeta e todas as suas antigas namoradas. Depois, já pelas tantas da madrugada, vislumbrar nosso João Cabral deliciando-se com as touradas de Servilha, Madrid e Barcelona. Sentir nas minhas próprias mãos todo o fogo ardente e feminino das provocantes e belas mulheres da Espanha. Ouvir demoradamente, bem de perto o instigante papo de Neruda como o pernambucano vate do Brasil. Em seguida, bebermos coletivamente todo o vinho possível que têm as noites da Espanha, da França e de Portugal.

Recitar para ele a tabacaria de Pessoa - o bom e imortal vate português, assim como a chorosa e emocionante poesia de Florbela Espanca. Quero este passeio inusitado com Neruda. Voar tranqüilo como que na calda mitológica do ‘pavão misterioso’ pelas ilhas e todos os arquipélagos das Américas.
Sonhar tantos e deveras os absurdos em meus desvarios literários. Abraçar minhas utopias com os meus braços cheios de conquistas e de metáforas. Sentir na minha língua e mãos a força e a ternura dos beijos de todas as musas que inspiraram Neruda pela vida.
Ler com o poeta do Chile em voz alta, até mesmo a minha própria prosa e os meus poemas prediletos na mais legítima tradução do idioma castelhano. Quero com Neruda encher-me de milhões de Amazonas para depois me esparramar poeticamente sobre a caatinga e toda a cultura dos meus sertões.

Sentir na minha boca sob os ventos alísios dos Andes toda a poética-sangue, suor e sal de Angola e Moçambique. Adentrar nesta viagem surrealista a Amazônica selva do Brasil e, deste modo ousado e sonhador, render sinceras homenagens póstumas à Plácido de Castro, Rondon e Chico Mendes no seu Xapuri ainda violento e matagal. Cantar, quem sabe, em versos e prosas para nosso Neruda visitante, numa canção nativa, a mais linda lavra de Thiago de Melo e Manuel de Barros, Cora coralina e Patativa.
Quero por fim, beber Neruda nesta noite fria. Viver para sempre nos Andes chilenos de onde o mundo e as pessoas nunca são tão grandes como se pensam e se imaginam pela vida afora. Subir o Nebo do mundo, e lá de cima nunca mais enxergar qualquer fronteira. Enxarcar-me de virtude, humanismo e solidariedade... Porque, somente a poesia é que tem o poder de engrandecer a vida e tudo o mais que no mundo exista. A poesia é que dá substância as idéias e corpo aos sentimentos. A vida é nada sem poesia...
Quero beber Neruda, assim como toda força e todo sangue ancestral contido na sua poesia. Poeta andino do Chile americano. Mestre imortal de todos os tempos – Neruda: o poeta-vinho das cordilheiras dos Andes. Vinho bom, maravilhoso e adocicado que uma vez bebi e desde, então nunca mais me esqueço. Quero enfim, beber Neruda e sobre as cordilheiras dos Andes gritar ao mundo, ao planeta, à fauna humana - de que sou feliz. E que, para sermos felizes temos que, de algum modo, sorver um pouco do sonho e do entusiasmo do velho poeta Neruda.

Sorver com meus lábios e língua todos os beijos doces das mulheres sul-americanas nerudianas. Matar minha sede ante o idioma e dialetos que há milênios nos aproximam como um presente dos anjos apaixonados de Deus. Quero degustar a poesia almiscareira, humana, afrodisíaca e cheirosa de Pablo Neruda. O poeta-mor das Américas andinas. Adormecer pra vida e acordar pro futuro no amanhã que há tempo me espera segundo o mapa-múndi poético de Neruda. Quem sabe, quando a poesia puder ser chamada simplesmente pelo nome fúlgido de mulher.

Toda a completude do mundo será uma eterna festa de luzes. Um verso altivo.Um instante eterno. Um poema, o qual por pura necessidade absoluta daremos inevitavelmente o nome de Neruda.
...........................................

· Prof. José Cícero
Pesquisador do Cangaço
Secretário de Cultura e Esporte
Aurora-CE.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Ipso Facto...

Pequenas ilações acerca do Amor

Alguém certa vez pôs este desafio em minha frente.
Pediu-me que lhe dissesse o que era o Amor.
Que elaborasse ali mesmo de improviso
Uma opinião, na tela fria.
Uma espécie de conceito poemático
quer fosse falado ou fosse escrito.
E eu me dei a este proclítico esforço assaz subjetivo
e em seguida, respondi.
- No amor vale mais o que cada um sente
por si mesmo. A dois ou até mais coletivamente...
Por fim, imaginei um pouco mais e prossegui.
- Ora bolas, se é verdade que este tal amor existe.
Qual a razão de não senti-lo a contento?
A que pretexto ou capricho cabe o seu vazio?
Negá-lo, então, não seria o caminho mais correto.
O amor talvez seja momento.
contradição do improvável, inevitável presumível.
'Júbilo obrigatório' do instinto humano.
Um “estalo” de sofreguidão que acaso,
imaginamos eterno.
Mistura de utopias e sonhos...
E como de resto: uma ilação dos sentimentos
Mais aventureiros e criativos.
Instante efêmero a que nos doamos por inteiro.
E o mais que possível, demasiadamente...
Ânsia e mistério a que nos entregamos por completo.
Assim como, de modo ousado e superlativo.
Ilusão de alumbramento – Pura paixão.
Escuridão de vontades e de desejos
Pulsão de quase morte,
bem como de se acreditar no impossível
de todos os fenômenos,
como única condição de ser feliz.
Compartilhando com o outro o gesto místico.
Crença onisciente de almas, mentes e de corpos.
Visão grandiloquente do sagrado e do profano.
Poesia na sua mais forte composição de deslumbramento.
Maneira de se crer naquilo que é incrível
Ou ainda quem sabe, tão somente:
O mais puro estado de espírito.
.............................................

José Cícero(inédito 2012)

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QUANDO EU MORRER...*

Quando eu morrer
não quero o discurso florido dos falsos.
Nem velas, nem flores,
nem qualquer espécie de oração em seus percalços.
Quero coragem.
Não quero choro
e, tampouco, o diálogo mentiroso
e clássico dos covardes,
Impregnando de um penoso fogo,
estupidez e tédio, o ambiente...
Com os cochichos jogados no entorno
do caixão escuro onde estarei deitado.
Como se tudo aquilo
não passasse de um mero circo.
Como de resto,
bem ao contrário de qualquer outro gesto
será tão cínico quanto
o sofrível acompanhar do féretro
daqueles verdadeiros bichos,
caminharão em círculo,
cada qual em seu vitupério.
Todos eles como bestas-feras da vida.
Velhacas raposas , leões da África
Predadores da humana raça
a
quem espreita e tocaia uma presa.
Querendo ter certeza da ida do meu cadáver
para a cova funda ou rasa
do velho cemitério,
que eles temem e odeiam com a maior das iras.


Quando eu morrer.
Quero sim, um ambiente diferente;
descontraído, inusitado, além dos instintos.
Quem sabe, uma confraria de gente
E que em torno dela se reúnam
todos os meus inimigos íntimos.
Desejo um momento de verdade e reflexão
sobre o mistério da morte
e da vida o imponderável.
Que ninguém possa de mim ter piedade ou pena.
Quero sorrisos, música, cânticos e poemas.
Quero luz, quero verdade apenas.
Um sarau de música, poesia e dança.
uma festa - Um baco-festim.
Quero enfim, que todos eles saibam que no fundo
Eu não estarei vencido.
porque de fato, eu não morri...
Pois os valentes sonhadores nunca morrerão .
Enfim, não quero o padrão sem brilho
das velhas despedidas
e dos medos superados.
Anseio o conceito da (re)afirmação
quem sabe, do eterno devir,
no espaço etéreo do cosmo
onde estarei para sempre vivo.
No sonho e no ideal que nos animam.
Assim como nas pessoas dos meus filhos
- necessária continuação
que ora carrego
em minhas próprias mãos.
.......................................................
José Cícero(inédito 2012)
Aurora-CE.

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