quarta-feira, 9 de maio de 2012

Te dou de mim o que couber tua mão

A frase mais descabida,
O discurso da razão;
O meu sentido da vida
Um simples samba-canção:
Te dou de mim o que couber tua mão.

As lágrimas da despedida
E as da reconciliação;
A risada mais distraída,
Um grito de decepção:
Te dou de mim o que couber tua mão.

A raiva pela alma ferida,
As festas da ilusão;
A elegância perdida
Dos meus passos no salão:
Te dou de mim o que couber tua mão.

A brisa suave sentida
Num belo e antigo verão;
A força bruta temida
Do mais feroz furacão:
Te dou de mim o que couber tua mão.

E ao fim, te vendo esquecida
Da angústia, do medo, do não,
Saberei que fui rico na vida,
Pois do que sou coube tudo
Na palma da tua mão.
....................................................
*Romério Rômulo
Fonte: http://www.projetobr.com.br
via blog Alagoinhaipaumirim(Mª Luiza)
Fotos: Da Internet

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sexta-feira, 4 de maio de 2012

O valor incomensurável das coisas simples e imorredouras da vida*

Por José Cícero
JC ao lado do famoso radialista esportivo do Cariri e do Nordeste Fco. Silva - Foguinho

Uma passagem pelos Sebos de livros e de discos de Juazeiro do Norte

Na última quinta-feira(3) quando em Juazeiro do Norte resolvi visitar alguns sebos – buscando encontrar alguns livros raros que no mais das vezes não se encontam no mercado editorial. Tal comércio de obras usadas, que graças a Deus está ressurgindo aqui no Cariri fica localizado na antiga galeria Zé Viana, bem como numa ruazinha que nem sei o nome, paralela a famosa rua São Pedro. Fiquei surpreso diante da quantidade e variedade de obras ali existentes.

Não por acaso, sempre desejei ir ao Recife, não apenas para contemplar o velho Capibaribe que inapelavelmente nos remete não apenas à Veneza imaginária, assim como à memória dos pernambucanos poetas Manoel Bandeira e João Cabral de Melo Neto. Meu propósito, contudo, diria que seria igualmente visitar e vasculhar os famosos Sebos que segundo dizem, ocupam quase todo um quarteirão antigo da bela Recife.

No Juazeiro do meu padim comprei algumas pérolas da literatura mundial: Marcel Proust, Moliére, Victor Hugo, Remingway, Edgar Allam Poe e Oscar Wilde, além de uma obra sobre Lampião(creio que me servirá na pesquisa que ora faço acerca do rei do cangaço em Aurora). Comprei ainda por um preço módico um clássico - 'A vida secreta' de David Jacobs sobre a fenomenologia ufológica a qual também sou adepto. Despois decidi dá uma esticadinha até a rua São Domingos pra bandas da “caixa d’água” quase no centro.
Fui visitar como sempre faço quando disponho de um pouco mais de tempo, o empório musical de antigos discos de vinis do agradável, famoso e simpaticíssimo 'Zé Baixim dos discos'. Lá consegui um Bob Dylan, ABA, Lobos e Trio Nordista.

Zé Baixim dos Discos com Adriano Anão e José Cícero no seu empório de discos antigos de vinil em Juazeiro do Norte-CE

Outro dia publiquei um artigo-reportagem na internet, isto é, no Blog de Aurora e noutros veículos similares. Abordando o resistente ofício de vendedor de vinil do Zé. Assim como a preciosidade do seu acervo quando logo recebi uma ligação da repórter do jornal Diário do Nordeste(caderno regional) Elizângela Santos. A mesma havia se interessado pelo assunto e ansiava publicar uma nova reportagem no DN. O que foi feito e, em cuja matéria também inseriu meu depoimento. Que bom que os velhos e românticos bolachões e contendo a boa música do passado ainda dão "ibope" pelo menos no meio jornalístico.
De forma que a tal reportagem, para a minha surpresa, estava lá emoldurada num quadro na parede do comércio do velho Zé Baixim com direito a fotografia colorida e tudo. O que segundo ele, é o único objeto que não está exposto à venda naquele ambiente dominado pelos antigos discos de vinil e posteres de artistas de época. Sempre gosto de fotografar as capas antigas mesmo que não as leve comigo, porque sei o quanto somos sem memórias...

Um encontro com o famoso radialista esportivo Francisco Silva – Foguinho.

Mas a minha alegria do dia não se resumiu apenas a este contato livresco e discográfico. Meu contentamento maior foi ter praticamente esbarrado por uma feliz coincidência, no momento em que eu saía do Sebo com uma figura das mais queridas da radiofonia esportiva do Cariri e do Nordeste – Francisco Silva – O popular 'Foguinho'.
Ele que nos últimos anos tem passado por problemas sérios de saúde, o que quase o afastara definitidamente da lida radiofônica regional. Já que não milita mais na bancada dos microfones, pelo menos no que tange às narrações esportivas que noutros tempos o fizeram notábel em boa parte do país. Lembro inclusive, do Foguinho narranda a copa do Mundo e o mundial do Japão. Era, por assim dizer, a nossa voz sertaneja gritando alto no além-fronteira.
Como também, quando eu ainda era menino o vi por diversas vezes narrando nas tardes de domingo no estádio Valdemiro Dantas - 'o Dantão' em Missão Velha nas memoráveis e inesquecíveis partidas do Real FC missãovelhense. Além dos clássicos juazeirenses obviamente, nos anos áureos e românticos do nosso futebol do Cariri...Num tempo em que sabíamos de cór todos os nomes dos jogadores de cada time. E quando o rádio ainda era de fato, um sucesso de massa e sua audiência uma verdadeira coqueluche.

Afável e cordial privei naquele instante e no entardecer de Juazeiro do seu abraço e, rapidamente falamos das poucas vezes que ele estivera em Aurora em inolvidáveis transmissões esportivas, quando ainda no antigo ‘Romãozão’. Na época ele ainda era uma grande novidade. Uma verdadeira sensação, um acontecimento social... Quando naquela ocasião tive o prazer e, falamos sobre este fato – de na última transmissão de Foguinho em Aurora ser o seu comentarista. Num jogo entre Guarani x Seleção de Aurora.
Lembro que no final da partida, Foguinho veio me agradecer e dizendo que havia gostado da minha participação. E, confesso que acreditei no seu julgamento. E em seguida, me fez mais um convite para uma transmissão do ‘Inaldão’ de Barbalha. Fiquei de dá-lhe a resposta até hoje...

Por onde andará agora o grande literato e espiritualista Aldenor Benevides?

Agora que me (re)encontrei com o grande e imortal Foguinha no juazeiro do meu padim, queria igualmente rever o decano literato Aldenor Jaime de Alencar Benevides. Uma das mais completas e humanistas figuras que já testemunhei na vida.
A
última vez que o vi estava extremamente debilitado em face dos seus sérios problema de saúde. Posto que já ultrapassara seus mais de 90 anos de existência - idade física, como ele próprio gostava de resssaltar. Já que era uma Kardecista convicto e acreditava portanto na reencarnação.
Era, como ainda o é, um homem de uma visão simplesmente monumental e por demais holística. Um cara de pensamento positivo e avançado. Há muito que não tenho notícia daquele grande mestre que aprendi admirar com todas as minhas forças e convicções. Com ele e, sobretudo com os seus gestos e ensinamentos confesso que aprendi muito...

Possuo quase todaa série das obras - livros de bolso, que o mesmo editava a sua própria expensas e enviava gratuitamente pelos Correios para todos os amigos e a população leitora de várias parte do Brasil. Segundo ele, era a melhor maneira de se ajudar a desenvolver na juventude o hábito da leitura. Uma das mentes mais férteis e um coração de santo, tamanho era o seu desprendimento material e a visão de mundo que possuia.

Nunca esqueci quando ele me escreveu dizendo que estaria doando sua biblioteca e me escolhera com um dos ‘recebedores das suas obras’. Como também quando me entregou o diploma de sócio-correspondente do Instituto Cultural do Vale Carienses(ICVV). Ainda, quando das duas ou três vezes que fui a sua casa na rua São José para receber seus passe espirituais e os livros que me doara. Na última, ele quase não andava e tinha dificuldade, inclusive, para ouvir. Nossos contatos eram quase todos à moda antiga, ou seja, por correspondência via correios.
Que saudade do grande Aldenor – como ele mesmo dizia – o filósofo do piripau. A quem chamarei ainda hoje de homem de Deus. Um espírito realmente da mais pura exceção. No fundo como a qualquer tempo, sei que estará comigo em espírito e pensamentos....

Posto que toda a grandeza assim como a força da sua energia sutil e supra física superará todas as barreiras, acaso imposta pela matéria. Presumo por fim, que o nosso velho e bondoso filósofo do piripau, é luz que nunca se apaga. De modo que estará sempre comigo.
.....................................................................................
JC para o Blog de Aurora.
Fotos: Adriano Sousa Anão

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sexta-feira, 30 de março de 2012

Uma Flor para Millôr - Por José Cícero

Cartunista e escritor Millôr Fernandes que faleceu terça-feira dia 27 no RJ.

Está mais triste o humor.
As tiradas mágicas e inteligentes do bom cartum.

Diante da inesperada partida

do velho dramaturgo e cartunista,

Escritor e jornalista;

que quisera acompanhar Chico.

- o nosso adorável Millôr.

Está mais pobre a piada.
A crítica ácida, inventiva, sociopolítica

e literária.

A veia frasista do mágico poeta.

Toda a charge do Brasil chorou.

Com a partida antecipada

do grande cartunista Millôr.

Nada mais será como dantes.
Posto que está triste o cartum.

Com o encantamento do escritor.

- Uma flor para Millôr Fernandes.

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Fotos: da Internet.
Nota:
Uma prosaica homenagem a este grande pensador do Brasil - Millôr Fernandes que falecera na última terça-feira, dia 27 de março no RJ.
*José Cícero/Aurora-CE.

sábado, 24 de março de 2012

O Cavaleiro da alegria...*

TRIBUTO AO VELHO CHICO ANYSIO

O Brasil está mais triste e de luto.
Partiu num vôo abrupto.
O nosso grande Chico.
Foi embora num prateado disco
O maior comediante do mundo.

Deixara conosco sua prole
Seus mais de duzentos filhos.
Inventivos personagens e tipos
que por mais de sessenta anos
encheram nossas noites de brilhos.

Partiu num vôo fantástico.
O imortal humorista do Brasil.
Um consagrado artista do povo.
Artífice do mais inteligente humor.
Personagem eterno que o país aplaudiu.

Foi embora o fazedor de sonhos,
graças e sorrisos.
Partiu na nave da alegria
e sob o vento alísio.
O cavaleiro andante
– Chico Anysio.
.....................................
(*) José Cícero
Secretário de Cultura, Turismo e Desporto
Aurora – CE.

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sexta-feira, 23 de março de 2012

QUANTO CUSTA?

Quanto custa uma légua tirana.
Um eito de terra?
Uma rota batida.
Uma braça de água fria.
Um alqueire de baixio.
Uma ventania da serra.
Uma casinha de taipa.
Uma dúzia de ovos de galinha caipira.
Uma égua parida.
Uma tapióca.
Uma tropa de jumento de lote.
Um taco de bolo de puba.
Um tacho de mel
Uma carga de rapadura.
Um punhado de farina na cuia.
Um copo d’água dormida do pote.
Um saciar de fome e de sede.
Uma caminhada tranqüila na mata.
Quanto custa?
Uma burra baixeira.
Um alforje,
um batoque.
Uma baladeira
Um gibão.
Uma cabaça d’água
Uma légua tirana.
Um bando de passarinho.
Uma coceira gostosa.
Uma corda.
Uma hora perdida
Um cochilo na sombra da moita.
Um galão d'água
Uma roseira cheirosa
Uma dança no forró na latada.
Uma cerca de avelós.
Um pires de mel de Jandaíra.
Uma cacimba rasa.
Uma bicada de cana de alambique.
Um saia encarnada.
Uma tapera.
Uma biqueira.
Uma cerca de vara
Uma mangueira carregada
Uma mordida no beiju.
Uma boa prosa.
Uma noite de lua.
Uma roça de milho.
Um segredo.
Um mistério.
Um pote de aluá.
Uma botija.
Um café torrado no caco.
Uma caneca de leite.
Um pão de milho moído.
Um pastel de Vicência Maciel
Uma viagem no trem do Crato.
Um doce de buriti.
Um cozinhado de andu
Uma panelada de pequi.
Uma paçoca.
Uma buchada de bode.
Uma queimada de urtiga.

Quanto custa,
tudo isso aqui na metrópole?
- Alguém por Nossa Senhora,
ou pelos seiscentos diabos me diga.
..........................................
José Cícero

Inédito - 2012.
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quarta-feira, 21 de março de 2012

Reminiscências: Uma saudade chamada passado*

No sonho que eu tive ontem
retrocedi ao passado.
Voltei de novo a ser menino,
criança, adolescente...
Moleque travesso e danado,
coberto de mimo e de carinho
por meus familiares.
Livre e solto,
prenhe de saúde, juventude e felicidade.
Eu vivi o melhor daquele tempo.
Jovem destemido.
Correndo as sete freguesias do mundo.
E da vida despreocupado
sem medo do futuro,
vivendo feliz o presente
que eu tinha como que ao alcance
dos meus olhos e dedos.
Porém, sem saber o que de fato,
era mesmo - sentir saudade.
Tomei banho de chuva, gritei palhaço.
Fui ao circo por trás da minha casa instalado.
E com a caderneta de comprar fiado
fui ao bodegueiro, comprar pão de coco,
mariola, um mercado de óleo pajeú.
Banha de porco, azeite canta galo,
caixas de maisena e arroizinha.
Tubo de linha Corrente.
Meio metro de elástico.
Ri-ri pra vestido, saco de estopa,
pavio para o candeeiro.
Pomada Mináncora, cueca zorba, brilhantina,
anágua, corpete, bob de cabelo,
tecido volta ao mundo, gilete, pente fino de tirar piolho.
Canivete de fazer barba e de raspar pentelho.
Comprimido cibazol, Iodex, pilha do mato, óleo de rízimo,
Ki-suco e cequilho.
Tudo enrolado em papel de embrulho.
E nos pratos da balança de peso, o cereal bem pesado.
Bebi refrigerante: Grapete e Crush.
Além de um copo de cajuína são Geraldo.
Sentei no balcão de angico e de pau d’arco do vendeiro.
Olhei o friteiro cheio de cocada e outros doces caseiros.
Vi os copos de fundo grosso dos bêbados.
Onde todos eles tomavam suas bicadas de cachaça.
Garrafas e garrafas de aguardente na prateleira.
- Serra grande, madeira de lei, caranguejo,
pitu, zinebra, cortezano,
Mucuripe e Conhaque são João da barra.
Num canto ao lado, vi uma pipa
cheia da branquinha do alambique.
Senti o cheiro de bacalhau, peixe seco e rapadura preta.
Sardinha coqueiro e oitenta e oito.
Gastei as moedas que eu havia ganhado
no carrossel do parque.
e com bombom de mel,
Drops de hortelã e chiclete Ploc.
Nolacha 'creme craque' fortaleza e Maria.
Perfume e sabonete Gessy e Phebo.
Li o colorido dos cartazes de cigarros mansos:
Clássico, Continental e Hollywood.
Além dos pacotes daquele de fumo forte chamado PC.
Comprei liga para baladeira, pilha de rádio,
espoleta para espingarda.
Remédio Sonrizal, cibalena e melhoral.
E ainda, pedi muito mais fiado na conta de papai:
Uma barra de sapão pavão, uma quarta de farinha,
sal em pedra e macarrão.
Querosene jacaré, pedra de isqueiro,
óleo de coco e de pequi.
Anil para lavar roupa, sandália fio de ouro
e um apito para chamar juriti.
Compre ainda, bem na venda ao lado:
Xarope para gripe, Ana septil,
emplasto sabiá, violeta para ferida de boca e metiolate.
Recebi por isso do vendedor - uma farmacêutico prático
um almanaque Fontoura de Zeca Tatu.
Depois disso sorvi todos os livros de Lobato.
Eu ainda vi no meu sonho
boneca de pano, brinquedos de barro e de plástico.
Carrinhos de lata, revista em quadrinho,
bola canarinho e dente de leite.
Além das revistas: Tex Willes, Tarzan, Placar, Cruzeiro,
Manchete e capricho.
Também a Ele e Ela que olhávamos escondidos
com medo de apanhar.
E o meu avô dizendo - "Pelos seicentos diabos"
Este menino não leva jeito!...
Fotonovela, álbum de figurinhas, foto de monóculo.
Caixas de velas São Francisco que nas noites de finados
todos acendiam no cemitério.
e na janelas nos dia de N.Srª das Candeias.
No sonho que eu tive ontem, voltei ao passado.
Tomei banho de rio, fui ao cinema São Luiz da minha cidade,
revi os ciganos, meu colégio
e ri às pampas com as presepadas do palhaço Fuxico.
Joguei bola com meus amigos de infância no campinho da Reffesa.
Esperei de novo o trem da feira do Crato e Juazeiro
na velha estação.
Vi o povo naquela profusão...
Bebi água de coco, Garapa de cana no engenho
e na garapeira da praça com pão sovado.
Soda limonada, guaraná Wilson e Antarctica.
Comi no sítio, Bolo de milho e de puba,
beiju, tapioca, galinha caipira e alfenim.
Ponche de limão galego, mangusta, chá de capim santo
de marcela, canela e bôdo.
Li os cordéis de Patativa, Athayde e José Bernardo.
Fiquei com medo do fim do mundo.
Rezei benditos e senti temor dos penitentes
quando na noite da semana Santa os vi.
Passeei de novo de velocípede, Carro de boi e monareta.
Brinquei de bila pelas calçadas.
pesquei cari na levada e piabas no açude.
Desgraçei meus dentes de menino
chupando pintomba, cajá e tamarinda verdes.
Juntei milhões de tampinhas de refrigerantes:
coca, pepsi, Crush, cajuina e fanta uva.
Figurinhas, castanha, notas, palitos,
“neguinhos” de faroeste e gibi.
E quando, finalmente no lápis
pedir ao bodegueiro que somasse a conta.
Acordei com buzina alta do misto da feira
que passou ali.
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José Cícero
Inédito-2012
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quinta-feira, 15 de março de 2012

Umas palavras... Ao dia da poesia.

Por José Cícero

Quando ninguém mais acreditou
que possível seria.
Todo o escuro das crenças se dissipou
num só instante.
Os olhos se encheram de lágrimas,
Otimismo e flor.
E a consciência voou
com os pássaros das montanhas.
Depois daquele instante inusitado
todos voltaram a ser crianças inocentes.
A humana raça se deu conta
do fantástico.
Riu-se como nunca na vida.
Um riso atrevido e adolescente.
Acendeu-se a luz plena da esperança.
A vida encheu-se de felicidade e alegria.
E todas as gargantas antes empoeiradas
Impregnaram-se de poesia.
Cessaram-se todas as angústias.
E os estudantes
apagaram com suas borrachas
o sofrimento.
O mundo encheu-se de sorrisos.
E logo em seguida: Uma calmaria...
Veio o silêncio.
E na seqüência
- Milhões e milhões de beijos.
Nascia ali o poema.
Desde então,
o idioma universal
passou a ser chamado simplesmente
pelo nome de poesia.
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José Cícero
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