terça-feira, 16 de setembro de 2014

ETERNA DÚVIDA...*


Ao certo, eu confesso:
Não sei mais se de fato vivo.
Nem sei mais se luto.

Decerto, se paro ou se prossigo
a travar o bom combate
pelas coisas que deveras eu acredito.
Se me entrego ou se resisto
a este tal carrasco chamado mundo,
demasiado vil, gregário 

e um tanto quanto devoluto.
Ao certo, sei apenas 

que deveras vivo
e a duras penas, 

isto me custa muito.
Como igualmente a pulso,
provo o amargor do
 conflito
de tentar ser Eu mesmo
a sangue e fogo, contrariando
os meus inimigos íntimos.
Em resumo, sei apenas,
que de fato, existo.
Perante o absurdo,

da solidão que sinto.
Assaz seguro 

da companhia que tenho 
em mim mesmo
e do meu Eu profundo.
..................

José Cícero 
Aurora - CE.
'Minhas Metáforas Prediletas" (inédito)

domingo, 7 de setembro de 2014

SENTENÇA DE GRANITO*

Paralelepípedos.
Pedras que carrego a duras penas
e não nego, em meus sentimentos.
Concreto de tudo o mais
que acaso vivo e sinto.
Sina e destino a que me entrego
por completo ao absurdo
de viver o mito de Prometeu e Sísifo
onde quer que eu ande...
onde vou  ou onde eu fico.

Paralelepípedos.
Pedras e sedimentos que tenho
e com as quais edifico.
Sonhos e pontes sobre os meus conflitos.
Sentença de fogo e de granito.
Angústias e sofrimento
e encher meu peito.
Poeira do tempo dentro dos meus olhos
como se fosse flores
nascendo e morrendo entre meus dedos.
__________
José Cícero (Inédito 2014)
Aurora – CE.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A RAIVA E O ÓDIO DOS ADEPTOS DA POLITICAGEM:


Qualquer semelhança não será mera coincidência
Que a politicagem é uma coisa ruim à sociedade moderna e democrática, isso todos nós já sabemos quase de cor e salteado. Porém, muito pior que a politicagem rasteira e barata dos mesquinhos é toda a miopia política dos que se dão por cegos, simplesmente porque não aceitam a concretude da verdade diante dos olhos.
Os que não suportam o êxito daqueles que eles odeiam e não têm coragem suficiente para dizê-los nem tampouco encará-los de frente. São os fracos de espírito que não conseguem conviver com as diferenças. A marcha-ré e o peso morto da história... Os que se alimentam cotidianamente da mentira como uma profissão de fé. Os que fingem amigos de todos, mas no fundo, não conseguem sequer ser amigos de si mesmos. Os que não sabem perder. Razão porque se transformam numa verdadeira fonte de asco e de covardia. Os que via de regra, posam de sabidos, boçalmente exibem seus diplomas, mas são absolutamente incapazes de soletrar as letras valorosas da consciência humanística, moral e política.
São por assim dizer, os maus sociopatas da fauna humana; doentes sociais que se utilizam da mentira e do embuste como alimentos de prazer. Os que de tanto faltarem com a verdade; como um castigo, terminam fatalmente provando pela vida inteira, o acre sabor da sua própria mentira. Os indiferentes à ética, à consciência cidadã, à justiça social e à democracia.
Os que torcem de pé junto apostando sempre na tese do “quanto pior melhor”. Os que ficam literalmente com o 'diabo nos couros' quando as coisas acontecem de modo afirmativo. Viram verdadeiras bestas-feras quando se deparam com ações sociais engrandecedoras, iniciativas pioneiras, obras edificantes, enfim ... 
São os agourentos de plantão. Os cupins humanos. Os falsos profetas; cínicos e pessimistas. E que por isso mesmo constituem o que há de pior na sociedade atual, quando o assunto é política como instrumento de transformação social. 
Os que não conseguem enxergar nada, além do seu próprio umbigo e dos seus interesses espúrios pessoais. E que acostumados demais aos seus disfarces, terminam por pagar um alto preço, por terem perdido a identidade de si mesmos. 
Os que sorriem fácil com os lábios e mordem-se por dentro com o coração. Os que ficam ensandecidos quando percebem que as coisas estão dando certo com aqueles que eles têm por inimigos. Os mascarados da vida que têm no disfarce a mais pusilânime das suas armas: O sorriso covarde e venenoso. Além do elogios vazio e banal. O tapinha suave no ombro, bem como o aperto de mão malicioso e maquiavélico.... 
E por fim, como diria Santo Agostinho; só existem dois tipos de inimigos realmente perigosos: os que perseguem e os que adulam. No entanto é preciso temer mais a língua do lisonjeiro do que as mãos do perseguidor. 
Então é isso. Podem vir... Estamos prontos!
.......................................
José Cícero – 
Aurora – CE.
  • Luiz Carlos Aquino Mais um brilhante texto produzido pelo não menos brilhante escritor José Cícero. Desta feita, direcionado a alguém ou a algum grupo específico, uma vez que "a semelhança não é mera coincidência", como faz registrar o autor.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A METAFÍSICA DA MORTE...*

Se me perguntares o que é a morte,
juro que preferiria falar da vida.
Porém se insistires tanto
eu  apenas diria:  
que a morte  é uma besta-fera.
Uma consequência de tudo, 
certo ou tardia. 
Uma mula velha perdida e endiabrada.
Um cio de cadela...
Uma jumenta tarada em disparada 
com uma bicheira doída abaixo da cia 
e além da sua cangaia torta. 
Além de uma ferida braba sobre as costas.
A burra louca da vida...
correndo em disparada
como a nos levar  pra longe no osso
ou   na lua da sua sela 
um tanto desgastada.
Uma égua parida e cansada
de tantas idas e vindas...
E se não for suficiente minha resposta,
direi ainda, que esta peste indigna
é uma megera ingrata que nos persegue.
Uma doença mal curada.
Uma íntima inimiga a nos pedir água
na soleira da nossa própria porta.
Ainda assim, se não for bastante,
direi  também que a morte é indolente.
Uma topada forte, um aperreio de vida.
Uma pereba braba, uma pancada no baixo ventre.
Uma coisa feia, uma bruxa pelada.
Quem sabe, a própria besta fubana
Uma maldade da bixiga lixa
Uma rapariga mundana.
Uma  lagartixa choca.
Uma cagada de pato. 
Uma indecente proposta.
Ainda, se a minha resposta não for boa,
direi também que a morte
é a mais indesejada das gentes.
Uma temeridade à toa, posto que é certa.
Uma cara feia e sisuda de coroa.
Um fantasma. Um cantada indelicada.
Uma asma noturna, uma dor de dente.
Uma sombra que nos acompanha.
Uma coisa ruim que que sempre enjoa.
Uma ladra que nos rouba dia e noite,
tanto a vida, quanto a paciência.
Ou ainda, quem sabe, uma covardia,
uma estrada longa, escura e desconhecida.
Uma fome dos seiscentos diabos
que por mais que nos coma, jamais sacia.
Uma macaca velha. Uma gia, uma serpente,
Uma sentença ingrata, uma inimiga.
Uma terrível visita inconveniente
que às vezes tarda mas nunca falta.
Uma coisa que nos atormenta, angustia e mata.
Uma abstração concreta.
Uma bicha amolengando a gente.
Uma doidice superlativa.
Uma brasa quente e sempre viva.
Uma filha da puta e de uma égua. 
Uma légua tirana que nos cansa.
Um porre e uma ressaca de cana fubuia.
Uma ninfomaníaca, uma queda de jumenta.
Uma usura ressabiada. 
Uma surra de cansanção, uma piada chata.
Uma briga de foice e faca às escuras.
Um canto de cerca.  Uma dor lascada de barriga 
acompanhada de uma caganeira.
Uma contradição existencial e política.
Uma estaca de jurema roxa
sobre a bunda e a consciência dos esnobes
que com seus dinheiros,
ainda se imaginam donos do mundo e da vida.
Uma praga. Uma alma penada noturna.
Uma comida insossa.
Uma metáfora estranha e esquisita.
Uma maldição que nunca passa.
Uma conta bancária absurda
que nunca se paga,
por mais que a gente insista.
Uma dívida cara, inexata e injusta.
Uma coisa ignóbil. 
Um pá de chifre de mulher feia.
Um chupa-cabra...
Uma fera do pasto solta pelas estradas
e por toda vida,
que sempre nos mata, nos come e vomita.
......................................
(*) José Cícero
In "Minhas Metáforas Prediletas" - inédito/2014
Aurora - CE.
foto ilustrativa: http://3.bp.blogspot.com

terça-feira, 12 de agosto de 2014

QUANDO DEUS CHAMOU RAIMUNDO*



- À memória de Raimundo Fidélis(Padim).
Quando Deus um dia chamou Raimundo
para uma prosa alegre.
Era um sábado, um feriado.
Manhã em claro.
Um dia clássico de Finado.
Deus disse - Estou um tanto entediado,
preciso de alguém ‘pra frente’.
De uma boa prosa.
Alguém que torça comigo o Flamengo.
Que me conte estórias edificantes,
piadas amenas e outras quentes.
Alguém que saiba muito
como o bom Raimundo.
Quem sabe, alguém que passara dos noventa.
Um cara de caráter, ‘boa gente’...
Pra ser meu conselheiro e meu amigo.
Que me conte coisas interessantes.
Que seja querido, ético e verdadeiro.
E quando Deus finalmente chamou: - Raimundo!
Ele respondeu, alegremente: " É isso"!
- Diga aí meu mestre!
Deus lhe confidenciou baixinho:
- Estais pronto?
E ele, com o sorriso de sempre.
Respondeu: - Só se for agora!
Pois há muito que já dei conta
do meu fardo e minha história.
Em seguida, num leve afago
Deus falou tão docemente:
- De fato, cumpriras fielmente
tua missão no mundo.
Dai-me as mãos: - Vamos Raimundo!
Vem comigo!..
Muitos estão a te esperar
lá em cima, no outro plano.
E “Padim” um tanto tranquilo
replicou de súbito:
- ora, ora... Então vamos.
Ainda olhou pro ambiente
como quem se despedindo.
E antes mesmo de cair no sono
foi logo dizendo:
- Adeus minha gente!
............................
(*) José Cícero
Aurora - CE
www.prosaeversojc.blogspot.com

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

PELO AVESSO*


Tudo o mais está esquisito ou estranho demais para meu juízo.
As borboletas não mais carregam sobre suas costas 
as belas manhãs do colorido primaveril antigo.
Meus olhos estão saturados de tantos escuros.
Nem mais as noites são carregadas como dantes
por imensas multidões de vaga-lumes.
Toda a estética do que era belo sumiu no plenilúnio.
Cansado de tanto brilho falso
o sol se escondeu no dia de domingo ou tirou férias...
Eis agora o inusitado cosmogânico 
em que a vida toda se encerra.
Não mais se escuta som de besouros pelo mundo.
Tampouco o barulho das águas frescas correndo nos rios
E o que sobrou dera lugar ao silêncio eterno.
Não há mais chuvas de janeiro nem maio.
Aromas de flores, perfumes dos ventos em seus assobios.
E sem as antigas estórias de trancoso
que alimentavam de sonhos os meninos
e de utopias bonitas os crescidos,
todos os passarinhos desde então,
estão dormindo muito...

Além do que é preciso para tecer as madrugadas.
Os bichos agora têm medo dos matos.
Há alienígenas e vodu por todo canto.
O ato de pensar passou a ser um risco e tanto.
E por conta disso, burros e cavalos 
agora estão pastando nos nossos quartos.
Lendo nossos livros de poesia e catecismo.
Macacos e lobisomens nos atormentam o senso crítico.
A ignorância dos irracionais venceu a inteligência dos homens.
Tudo o mais agora é vazio e tédio imenso... 
Nada mais possui o seu sentido prático.
A vida perdeu seu prumo e não tem sentido 
quem sabe num verso de Drummond e de Vinícius.
A metafísica das coisas caiu no ralo do banheiro.
O absurdo tomou conta por inteiro do racionalismo.
Estamos gregários e perdidos em absoluto
em meio a tantas ideias de rebanhos.
Desde muito, nenhuma filosofia nos basta...
O cosmo é a nossa própria pança.
Tudo o mais é puro desejo e outras vontades.
Há lixo demais no nosso pensamento contemporâneo.
A moda agora é ser medíocre. 
como  moderno é conseguir ser ignorante ao extremo.
Contudo, o poder mundano tem seu preço.
O castigo de Midas está apenas começando.
Silêncio profundo grita aos ouvidos dos elefantes.
Viver agora é um grande risco...
Existe um modismo sistemático de cachorro sardento.
Ser cínico e artificial é ser também elegante e bonito,
além de demasiadamente humano...
O segredo do sucesso é querer a qualquer custo 
levar vantagem em tudo
passando  o tempo todo a perna nos semelhantes.
Tudo está morto ou está mudo.
O solidarismo há muito morreu 
e não ressuscitou ao terceiro dia.
Os homens estão cada vez mais cegos
diante da barbárie e do exício 
pleno de idiotices, cheios de si mesmos.
A morte passou a comanda de vez o mundo.
Enquanto a fauna humana continua insistindo
brincando seriamente com o impossível.
Os homens continuam adormecidos

entretidos demais com o perigo.
Sem ainda se darem conta,
que nunca poderão comer dinheiro.
Ninguém aprendeu ainda a ser feliz.
De modo que, tudo que me resta é o sorriso
todas as vezes que "eles" me chamam de poeta louco.
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__
(*) José Cícero Silva
In Loucos e Insensatos - inédito 2014
Aurora - CE.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Palestina – Um genocídio sem tamanho*

Crianças palestinas vítimas dos bombardeios na faixa de Gaza(foto internet)
Articulista JC
Vergonha clamorosa! O que mais pode ilustrar o modo covarde e cúmplice com que as chamadas grandes nações do mundo silenciam diante do verdadeiro banho de sangue promovido pelo exército israelense contra o povo palestino na faixa de Gaza?  Aliás, um genocídio quase sem nenhum precedente na história. E o que é mais vergonhoso é saber que todos  aqueles crimes estão sendo  apoiados e patrocinados há anos pelo governo dos Estados Unidos. Financiado tanto em logística, quanto em dinheiro e armamentos dos mais sofisticados. De modo que, Israel vem se transformando numa verdadeira máquina de matar. Com um aparato militar que atualmente só perde para o seu grande patrocinador, os EUA.
O fato é que o mundo está assistindo passivamente um autêntico extermínio humano. Algo inconcebível para os padrões do século XXI. Coisas horríveis que a imprensa pró-americana não fala, esconde e proíbe que o resto do mundo venha tomar conhecimento no seu todo.
Basta ver que os EUA, assim como a maioria dos países imperialistas do 1º mundo - seus aliados, até agora não condenaram oficialmente o triste episódio. O que por si só já demonstra o grau de comprometimento de ambos com a continuação do massacre.
Israel além de se apossar das terras do povo palestino, ainda humilha, expulsa e tenta exterminar a nação Árabe. Que pelos menos a opinião pública mundial se manifeste enquanto é tempo. Para uma solução definitiva e imediata da situação. Um acordo de paz duradouro. Um cessar fogo efetivo. Uma convivência harmoniosa para um problema que se arrasta ao longo de décadas. E que tem transformado aquela região num verdadeiro barril de pólvora.
Portanto, ao contrário dos mandatários do mundo, torcemos para que a estabilidade política e a paz sejam, a quanta antes restabelecida naquela região de conflito. Mesmo que nos chamem por muitas vezes de “anão diplomático”. Então, porque os tais gigantes apenas silenciam diante de tamanha barbárie? Quem sabe por medo, covardia, interesse ou mera cumplicidade?
No mais a tal  ONU  não passa de uma grande piada. Um instrumento de araque a serviços dos interesses norteamericanos em particular e, do imperialismo mundial em geral.
A propósito, será que nem o Vaticano está enxergando toda aquela carnificina? E mais, não adianta vir dizer que aquilo é uma guerra. Porque não existe guerra de um exército só. Aquilo tem nome: Massacre, genocídio, ignorância, barbárie, fanatismo e selvageria... Crimes que no seu todo se resumem na pior forma de terrorismo que possa existir - o terrorismo de Estado.
Como é possível perceber, são crimes cometidos, não somente contra o povo palestino, mas igualmente, contra a própria humanidade. Não crime de guerra como querem nos fazer acreditar. Porque aquilo lá não é guerra. É banho de sangue mesmo. O direito injusto da força bruta contra a força do direito dos fracos.
Mais uma prova inconteste de que ainda agora é muito apressado chamar a fauna humana de razoavelmente racional. Uma vez que nem os piores dos animais mais selvagens chegariam a praticar tais atrocidades contra seus semelhantes de caminhada.
Uma vergonha, portanto, sem tamanho para um povo que se diz fiel e temente a Deus. Razão porque, diante de todo este mau exemplo, cai por terra qualquer argumento ou explicação defendida por Israel para querer(quem sabe) justificar tanta violência desproporcional. Não há nada que possa justificar ou legitimar  atitude tão ignóbil. 
Como se ver, trata-se de uma nação das mais belicistas e violentas do planeta. Que até hoje não se deu por satisfeita pela ocupação que promove há anos no território alheio.
Que o Deus do bem e da verdade verdadeira possa quem sabe interceder pelo povo palestino e todos os injustiçados do Oriente médio. Porque dos homens e dos pseudo-organismos internacionais que se dizem  ‘procuradores da paz’ e da coexistência pacífica entre os povos, quase nada mais se pode esperar.  A não ser mera solução de continuidade, além dos velhos discursos amarelados, cínicos e sem efeito prático.
Enquanto populações inteiras de inocentes criancinhas, idosos, mulheres e civis estão sendo mortas, eles, os cínicos de plantão permanecem sob os holofotes de uma mídia igualmente covarde e comprometida com os interesses espúrios dos poderosos.
Saudações de fé, esperança e paz a população Palestina na sua luta pela vida e pela sobrevivência em seu próprio território invadido e usurpado desde o pós-guerra por Israel.
Deus salve o povo palestino...
_______________________
(*) Por José Cícero
Aurora - CE.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

INTIMISTA*

Há muito vivo sozinho no oco seco do mundo.
Mas nunca me dei ao castigo de abandonar os meus sonhos
quer sejam novos ou antigos.
Viver assim do meu modo estranho, é um risco.
Porém,  não desisto de seguir lutando.
Porque acredito acima de tudo que isso é certo.
Como ainda no meu destino inexoravelmente justo.
Razão porque luto e sigo ao encontro do meu Eu profundo.
No mais, sempre que preciso ou me encontro em apuros,
traço eu mesmo,  como quero, o meu caminho reto
por entre os perigos, as pedras e os abismos do meu mundo.
Não tenho amigos em que confio, em absoluto.
Tenho, no mais das vezes, cúmplices.
Não me sinto seguro, quando não estou, 
senão na companhia de mim mesmo.
Quando divago, prezo por segurança ou por princípio
apenas em meu espírito. 
Outras vezes, quando muito desconfio do meu alterego.
Eu simplesmente existo do meu jeito único
e isso, suponho, que não é pouco
diante das coisas que me acontecem em contraponto.
Vivo como posso e a duras penas sobrevivo
qual náufrago empedernido em alto mar perdido.
Ou mesmo em terra firme entre selvagens feras e os covardes bichos.
Sem no entanto, precisar se igualar a eles.
Nem fera e nem bicho...
Demasiadamente humano 
assim eu consigo vencer os percalços e os perigos,
além de todas as dificuldades que encontro.
Vivo como posso e assim me dou por satisfeito.
No vão das coisas e sob as cinzas da horas
eu sobrevivo todos os dias quase em apuros..
Tenho sonhos de pedras com as quais edifico minha fortaleza.
O medo que tenho é toda solidão que carrego junto ao peito.
Há quem me ache estranho e anormal por conta disso.
Talvez porque não caibo em todo canto
como tantos vivendo embriagados 
no balcão sujo e gregário do bordel do mundo.
Quero apenas a qualquer preço, ser feliz por inteiro.
O que não quero de nenhum jeito
é viver inutilmente à margem de mim mesmo.
.................
JC - Aurora-CE. (inédito/2014)

Tão Pouco...*

Quero pouco
do muito que tanto sonho.
Muito ou pouco
o sonho que ainda tenho 
é tanto.
Muito mais do que preciso
ou que mereço
para ser feliz
ao menos um pouco
e do meu jeito.
Pouco ou muito
tenho tanto.
Mais do que espero
do sonho que tenho,
para enfim, 
me dá por satisfeito.
...............................
JC - ( inédito/2014)
Aurora - CE.